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Irlande do Norte

Dois jovens são presos após morte de jornalista por Novo IRA, na Irlanda do Norte

Pichação em muro de Londonderry evidencia tensão sobre o nacionalismo irlandês.
Pichação em muro de Londonderry evidencia tensão sobre o nacionalismo irlandês. REUTERS/Clodagh Kilcoyne

Dois jovens de 18 e 19 anos foram presos na Irlanda do Norte, após a morte da jornalista Lyra McKee, na quinta-feira (18). A profissional foi atingida a tiros durante confrontos entre moradores do bairro de Cregann e a polícia, em Londonderry. McKee preparava um livro sobre o desaparecimento de jovens durante os 30 anos da guerra civil irlandesa.

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O conflito, entre 1968 e 1998, terminou com o Acordo de Belfast, também conhecido como Acordo da Sexta-Feira Santa, assinado há 21 anos. As investigações ainda não determinaram se a morte foi acidental ou premeditada.

McKee foi atingida enquanto assistia a distúrbios no bairro de Creggan, de maioria católica, onde ela se instalou no início de 2018. A polícia tentava evitar atos de violência no local durante o fim de semana de Páscoa, data que marca a revolta de Dublin, em 1916, que culminou na proclamação da República da Irlanda.

“Os investigadores prenderam dois homens, no contexto da lei sobre o terrorismo em relação  com essa morte”, indica o comunicado divulgado pela polícia norte-irlandesa.  As autoridades consideram que os disparos que atingiram a jornalista vieram provavelmente de militantes do grupo nacionalista irlandês New IRA, autor de diversos ataques nos últimos anos.

Londonderry se tornou conhecida por conta do “Bloody Sunday”, em 30 de janeiro de 1972. Soldados britânicos atiraram nos participantes de um protesto pacífico, deixando 14 mortos. A tragédia se tornou título da música “Sunday Bloody Sunday”, que consagrou o grupo U2.

Confrontos com a polícia

Os disparos visavam a polícia, segundo as autoridades do país, que consideraram o incidente como um “ato terrorista” perpetrado pelo Novo IRA, grupo dissidente do antigo Exército Republicano Irlandês. Cerca de 50 coquetéis molotov foram lançados contra os agentes e dois carros foram incendiados. Por volta das 23h, um homem armado apareceu e atirou nos policiais e na jornalista Lyra McKee. Ela chegou a ser levada para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

A jornalista nasceu em Belfast, ex-reduto do grupo paramilitar católico que praticou atentados entre os anos 1970 e 1990 no país, e escrevia frequentemente sobre o conflito na Irlanda do Norte e suas consequências. Nesta quinta-feira (18), ela publicou uma mensagem em sua conta no Twitter acompanhada de uma foto dos tumultos no bairro. Segundo Mark Hamilton, da polícia irlandesa, a morte da jornalista está sendo tratada como um “ato terrorista realizado por republicanos dissidentes violentos.”

Em janeiro, a explosão de um carro-bomba em Londonderry alertou as autoridades para o risco da emergência de grupos paramilitares violentos, que ganharam força com as dissidências envolvendo o Brexit, a saída do Reino Unido da Europa. A questão da fronteira irlandesa é um dos pontos mais polêmicos do acordo.

Homenagem

Na sexta-feira, centenas de pessoas participaram de homenagens a Lyra McKee, que também era conhecida pelo ativismo em movimentos pelos direitos dos LGBT. A primeira-ministra britânica, Theresa May, afirmou que a morte dela é “chocante”. Em Dublin, o premiê irlandês, Leo Varadkar, declarou que “não podemos deixar os propagadores da violência, do medo e do ódio nos levarem para o passado.”

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