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Avanço da extrema direita e risco de instabilidade marcam eleição na Espanha

Comício de campanha do partido de extrema direita Vox, em Burgos, no norte do país.
Comício de campanha do partido de extrema direita Vox, em Burgos, no norte do país. CESAR MANSO / AFP

Os espanhóis vão às urnas neste domingo (28) na terceira eleição legislativa em menos de quatro anos. A campanha eleitoral foi marcada pelo avanço da extrema direita e pela persistente crise na Catalunha

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O atual primeiro-ministro, o socialista Pedro Sánchez, faz um apelo para que os eleitores impeçam o avanço da extrema direita. As pesquisa apontam que o partido Vox pode conquistar mais de 10% dos votos e entrar com força no Congresso espanhol. Se este cenário se confirmar, os conservadores estariam dispostos a governar com a extrema direita, criando uma possível aliança que complicaria a situação dos socialistas que são favoritos nas pesquisas.

Confira a seguir os fatos importantes da política na Espanha antes da votação antecipada de domingo.

Risco de instabilidade política crônica

O risco de uma paralisia política permanece alto após a eleição. Embora as pesquisas apontem a vitória do presidente do governo, Pedro Sánchez, o Partido Socialista (PSOE) não terá maioria para governar sozinho. Para seguir no governo teria que buscar uma aliança com a esquerda radical do Podemos, atualmente em baixa, e com os partidos regionais, como os separatistas catalães e os nacionalistas bascos.

Outra opção seria uma aliança com o Cidadãos, um partido de centro-direita liberal que oficialmente afirma desejar querer "afastar Sánchez" e governar com os conservadores do Partido Popular (PP). Sánchez não descarta claramente a possibilidade, ainda mais que PSOE e Cidadãos alcançaram acordos nos últimos anos. Por outro lado, as pesquisas consideram improvável que Cidadãos, PP e o partido de extrema direita Vox alcancem a maioria de governo.

A instabilidade começou nas eleições de dezembro de 2015, que marcaram o fim do bipartidarismo, com a entrada em cena do Podemos e do Cidadãos, e levaram ao bloqueio político. Em junho de 2016 foram organizadas novas eleições e o conservador Mariano Rajoy tomou posse em outubro.

Um presidente de governo não eleito

Em 2016, os socialistas perderam as eleições, ao conquistar apenas 84 das 350 cadeiras do Parlamento. No entanto, Pedro Sánchez chegou ao poder em junho do ano passado após uma moção de censura apoiada pelo Podemos, os separatistas catalães e os nacionalistas bascos contra Mariano Rajoy. A moção foi motivada pela condenação do PP em um grande processo por corrupção.

Avanço da extrema direita

A grande novidade dessas eleições é o partido Vox. Quase inexistente na política espanhola desde o fim da ditadura de Francisco Franco, em 1975, a extrema direito pode registrar o grande avanço. O Vox, com discurso ultranacionalista, tem entre seus candidatos generais da reserva e defensores do franquismo.

Há 12 meses praticamente nenhuma pesquisa citava o partido, que sacudiu o tabuleiro político espanhol em dezembro ao conquistar 11% dos votos nas eleições regionais na Andaluzia. O Vox se aliou na região ao PP e o Cidadãos para desalojar do poder os socialistas em seu reduto histórico.

Catalunha

Um ano e meio depois da tentativa de secessão da Catalunha em outubro de 2017, que representou a pior crise política na Espanha em 40 anos, o tema continua no centro do debate. Alguns dias depois do início de um julgamento histórico contra ex-dirigentes, os separatistas catalães forçaram Pedro Sánchez em fevereiro deste ano a convocar eleições antecipadas, ao negar apoio a seu orçamento.

O socialista prefere não ter que voltar a recorrer aos independentistas para formar uma eventual maioria. Ele reiterou recentemente que é contra qualquer referendo de autodeterminação na Catalunha, embora tenha oferecido mais autonomia.

A direita e a extrema direita, que acusam Sánchez de "traição" por sua tentativa de diálogo com os separatistas, usaram o termo "golpistas" contra os catalães durante a campanha.

Economia e desemprego

Depois de uma severa recessão e um ano de austeridade drástica, a Espanha se recuperou, registrando três anos de crescimento acima de 3%, entre 2015 e 2017. A economia, no entanto, desacelerou em 2018, com avanço de 2,6%. A previsão para 2019 é de 2,2%.

O desemprego, com índice de 14,7% no primeiro trimestre, o segundo maior da Europa, atrás apenas da Grécia, continua sendo a maior preocupação dos espanhóis.

(Com informações da AFP)

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