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Brasil-Mundo

Forró vira mania em Portugal e brasileiros investem no mercado do baião

Áudio 05:02
O brasileiroi Enrique Matos durante uma aula em Lisboa
O brasileiroi Enrique Matos durante uma aula em Lisboa F. Belem

Os europeus se renderam ao Forró e, em Portugal, há muitas aulas, oficinas, bailes, festivais, e projetos que envolvem pessoas de diferentes países, como o mineiro Enrique Matos, que ajuda a difundir o ritmo no continente.

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Fábia Belém, correspondente da RFI em Lisboa

Natural da cidade mineira de Conceição do Mato Dentro, Enrique conheceu o ritmo popularizado pelo pernambucano Luiz Gonzaga ainda criança. Ele se lembra que todos os dias, às 5 da manhã, ouvia a Triste Partida, poema escrito por Patativa do Assaré e imortalizado em canção na voz de Gonzaga. O que Enrique não imaginava é que também seria um emigrante, assim como o retirante da Triste Partida.

Em 2008, já em Belo Horizonte, ele largou o emprego numa loja de roupas e se mudou para Lisboa. Os CDs e os discos de vinil de forró vieram na bagagem. A zabumba também. Ele lembra que “a cena do forró” estava no início na capital portuguesa. Logo que chegou, o mineiro conseguiu trabalho. Primeiro em restaurantes e depois em hotéis, mas ele não tardou a descobrir os caminhos do forró na terra do fado.

Começou a tocar zabumba em eventos de rua organizados por algumas freguesias e em shows de artistas brasileiros, em Lisboa. Depois vieram as aulas de forró. Enrique se envolveu em tantos projetos que, em 2010, decidiu dedicar todo o seu tempo ao que mais gostava e se tornou um dos promotores do ritmo na Europa. Ele já perdeu a conta de quantas cidades já foi levando o ritmo do nordeste do Brasil, mas faz questão de ressaltar que tudo começou na capital mineira. “Em Belo Horizonte foi onde a gente se formou forrozeiro mesmo, que a gente começou a pesquisar, ouvir muita música”, explica Enrique.

Em ritmo de forró

Enrique vive no ritmo do forró. O verão ainda nem começou na Europa e o brasileiro já pensa no que terá no inverno: o festival ‘Baião em Lisboa’. Ele é responsável pelo evento, que acontece anualmente, sempre no mês de dezembro. E como tem acontecido, homenageia um artista brasileiro, que também participa da festa. Este ano será a vez de Anastácia, cantora, compositora e parceira musical do também cantor e compositor Dominguinhos, que morreu em 2013.

Além dos festivais, muitos outros eventos e oficinas de forró, Enrique Matos também trabalha como DJ em bailes badalados da capital portuguesa. Um deles é o conhecido Forró da Liberdade, que leva o nome da Avenida onde ocorre o arrasta-pé. “Vou lá com a minha pasta de CDs e sempre faço os bailes, e como a gente tem muitos alunos, vai muita gente pra lá. Então, são centenas de pessoas, trezentas, quatrocentas pessoas no centro de Lisboa dançando. Aí, você imagina, é gente do mundo inteiro. Ali passa muita gente. É lindo o Forró da Liberdade”.

Baião em Lisboa

Em 2015, o brasileiro criou, em Lisboa, o Espaço Baião, onde quase duzentas pessoas de vários países tem aprendido a dançar forró. “Grande parte [dos alunos] é portuguesa, claro, mas há franceses, italianos, alemães, temos da Arábia Saudita, temos de tudo quanto é lugar”, diz Enrique.

As aulas acontecem de segunda à quinta-feira, sempre à noite, e vão do nível zero ao intermediário. O “Forró Zero”, como é chamado, é o nível para quem nunca dançou forró. Depois de quatro ou cinco aulas, segundo Enrique Matos, a pessoa já consegue acompanhar uma turma do nível de iniciados 1. As técnicas do arrasta-pé ficam sob a responsabilidade de uma equipe de oito pessoas: Enrique e sua sócia portuguesa, Camila Alves, mais seis ex-alunos que se tornaram monitores - uma italiana, um brasileiro e quatro portugueses.

A psicóloga clínica italiana Elisabetta Cocco é uma das monitoras do Espaço. Ela conheceu o forró em Berlim, mas somente aprendeu a dançar quando veio a Lisboa. “Eu me apaixonei só de olhar, e quando eu vim morar aqui eu procurei as aulas porque eu queria aprender a dançar isso. Quando nós dançamos, não quero dizer que se esquece de tudo por um momento, mas é como estar num outro mundo”, afirma Cocco.

Há oito meses, o serralheiro português Diogo Marinho faz aulas de forró. Conta com entusiasmo que chegou a dizer ao filho o quanto gosta do ritmo. “Eu até já disse ao meu filho: ‘O pai só tem duas coisas na vida: és tu e o forró´”. 

Viver de forró

Além de dar aulas regulares de forró no Espaço Baião, a sócia de Enrique, a portuguesa Camila Alves, também desenvolve diversos outros projetos ligados ao ritmo. É convidada para participar de congressos e workshops até fora da Europa. Recentemente esteve no Japão.  “Vivo do forró, dá pra viver do forró. Vários países já têm muitos alunos e querem constantemente mais conhecimento, mais professores e mais festivais, eventos e tudo”, revela a portuguesa.

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