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Linha Direta

Com recusa de Salvini, navio humanitário Sea-Watch volta a águas internacionais

Áudio 03:42
O navio Sea-Watch 3 continua bloqueado a uma milha do porto de Lampedusa, Itália. 27/06/2019.
O navio Sea-Watch 3 continua bloqueado a uma milha do porto de Lampedusa, Itália. 27/06/2019. REUTERS/Guglielmo Mangiapane

A odisseia do navio Sea-Watch no Mediterrâneo, contendo 40 pessoas resgatadas no mar após fugirem de campos de confinamento na Líbia, completa 16 dias nesta sexta-feira (28). Na madrugada de quinta-feira (27), um homem em graves condições e um menor de idade foram evacuados pela Guarda Costeira.

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Rafael Belincanta, correspondente da RFI em Roma

A capitã do navio Sea-Watch, Carola Rackete, desobedeceu ordens expressas do ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, e permaneceu por 24h em território italiano, próximo à ilha de Lampedusa. Sem resposta ao pedido de ajuda, Rackete decidiu voltar às águas internacionais.

Salvini chegou a atacar a capitã alemã em uma transmissão via Facebook, na qual afirmou que Carola Rackete era uma” impertinente”. “Quem não se importa, responde pelos seus atos, e quem erra paga”, disse. Mais tarde, em um programa de TV, o ministro do Interior voltou a afirmar que “ninguém vai desembarcar na Itália a não ser que alguém leve essas pessoas a Amsterdã, Berlim e Bruxelas”.

A decisão de atracar em Lampedusa foi tomada em razão da exaustão dos migrantes. Após duas semanas em alto mar, alguns deles teriam ameaçado se lançar ao mar.  “Sou responsável por essas pessoas que resgatei no mar e que não aguentam mais. Quantos outros abusos deverão suportar? A vida delas vem antes de qualquer jogo político ou incriminação”, declarou Rackete ao jornal Repubblica.

A Corte Europeia de Direitos Humanos se negou a cobrar esclarecimentos da Itália sobre o bloqueio de seus portos ao navio humanitário – algo que havia sido pedido pela ONG Sea-Watch. Em um comunicado, a instituição afirmou que as “condições a bordo não constituem dano iminente ou irreparável à vida dos náufragos”, mas pediu, contudo, que a Itália desse o suporte necessário ao navio.

Com base em um recente decreto de Salvini, a tripulação do Sea-Watch pode ser processada por facilitar a imigração ilegal, além de ter sequestrado a embarcação. Eles podem receber uma multa de 50 mil euros. Em 24 horas, uma campanha de arrecadação voluntária promovida pela Rede Italiana Antifascismo arrecadou cerca de 220 mil euros em prol do navio.

Grupo de parlamentares a bordo

Um grupo de deputados da oposição subiu a bordo no fim da tarde de quinta-feira  junto com jornalistas para averiguar as condições dos resgatados. O líder do Partido Democrático (PD) na Câmara dos Deputados, Graziano Delrio, disse ter “encontrado uma situação insustentável e que os resgatados devem ser desembarcados imediatamente”. “O premiê Giuseppe Conte tem o dever de intervir imediatamente para colocar fim a esta situação desumana que está ameaçando a credibilidade e o prestígio da Itália”, acrescentou.

Do Japão, onde participa do G20, Giuseppe Conte declarou que não se trata mais de uma decisão política, mas que agora cabe à justiça italiana. O primeiro-ministro italiano disse em Osaka que França, Alemanha, Luxemburgo e Portugal estariam prontos a receber os migrantes. Nesta sexta-feira, a procuradoria de Agrigento, na Sicília, abriu um processo para investigar Carola Rackete por “favorecimento à imigração e violação das normas de navegação”.

Em várias cidades italianas, foram registrados protestos pacíficos a favor do desembarque da Sea-Watch. O prefeito de Palermo, na Sicília, concedeu cidadania honorária a toda a tripulação. Apesar de ter recebido ofertas para atracar em outros portos, como o de Gênova, a ONG insiste que Lampedusa é o porto seguro mais próximo. 

No início do mês 11 náufragos em graves condições de saúde foram autorizados a desembarcar em Lampedusa. Menores de idade desacompanhados seguem a bordo do navio, segundo a assessoria de imprensa da Sea-Watch. O navio alemão de bandeira holandesa segue ancorado a 3 milhas náuticas da costa de Lampedusa.

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