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Brasil-Mundo

Brasileiros elegem Portugal como porto seguro para a comunidade LGBTQI+

Áudio 03:59
Alex de Lima na Gay Pride na Praça do Comércio em Lisboa
Alex de Lima na Gay Pride na Praça do Comércio em Lisboa Arquivo pessoal

Graças às leis portuguesas antidiscriminação e ao respeito da sociedade às minorias, muitos brasileiros têm deixado o país de origem em busca de uma vida melhor longe do preconceito. Esta migração para Portugal aumentou principalmente depois da última eleição presidencial e a vitória de Jair Bolsonaro.

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Por Luciana Quaresma

Romulo Botelho, 40 anos, design que se mudou há um ano para Portugal, é contra o atual governo do Brasil e apesar de não concordar que Portugal tenha se tornado um paraíso gay, acredita que é um país livre do preconceito, violência e intolerância.“Eu não vejo Portugal como um refúgio da comunidade LGBTI. Na verdade, os roteiros turísticos e os guias divulgam como se fosse um paraíso gay mas eu não reconheço desta forma. Eu vejo que é um país realmente livre de violência, livre de radicais, de preconceito, de tolerância mas não creio nesta afirmação”, explica.

Romulo se mudou para Portugal há um: existe mais respeito e tolerância por aqui
Romulo se mudou para Portugal há um: existe mais respeito e tolerância por aqui Arquivo Pessoal

A jornalista Meg Macedo se mudou para Portugal e deixou para trás a insegurança e o medo do que estaria por vir com o novo governo. Estudante de Mestrado, Meg é também representante do coletivo Queer Tropical, em Lisboa, que apoia brasileiros que querem morar em Portugal, além de prestar ajuda solidária aos que se sentem ameaçados.

“ O principal fator que influencia os brasileiros da comunidade LGBTQI+ (Lésbica, Gay, Bissexual, Transgênero, Queer, Intersexo) a vir para Portugal é justamente a questão da segurança. Por aqui as políticas públicas são respeitadas de fato, enquanto no Brasil, hoje, a gente vive uma insegurança. Os direitos que foram adquiridos se encontram em risco porque temos um presidente LGBTfóbico. Então, nada nos garante que esses direitos vão permanecer intactos”, comenta a jornalista.

Meg Macedo é representante da Queer Tropical em Lisboa que apoia brasileiros que querem vir morar em Portugal.
Meg Macedo é representante da Queer Tropical em Lisboa que apoia brasileiros que querem vir morar em Portugal. Arquivo Pessoal

Direitos das minorias

Apesar da nova lei aprovada recentemente no Brasil onde a homofobia passa a ser crime, Marco Hennies, de 53 anos, que mora em Lisboa há três anos, acredita que o país enfrenta um momento muito delicado no que toca as minorias.“O Brasil está num momento muito especial e muito perigoso, onde alguns valores que precisam ser revistos não estão sendo revistos com olhos livres e estão comprometidos com valores antigos", afirma.

O paulista avalia no entanto que "não é que o Brasil vai ser um país retrógrado. Exemplo disso, é essa lei que saiu recentemente que criminalizou a homofobia e isso pra mim é um grande avanço, mas paralelo à esse passo adiante ainda há uma resistência para que as pessoas possam ser verdadeiramente livres”.

A advogada Renata Baracat mora em Portugal há nove anos e vê nesta migração de brasileiros a busca por uma vida longe de preconceitos. “Eu tenho vários amigos brasileiros que no último ano se mudaram para Portugal buscando um estilo de vida mais seguro, buscando qualidade de vida que é o que as pessoas querem, ser felizes sem preconceito", diz Renata.

Ela sentiu uma diferença nas manifestações do orgulho gay de Portugal em relação ao Brasil : "aqui existe uma inserção social. Nós vivemos em conjunto, em sociedade e no Brasil é separado. As minorias vivem entre elas, as maiorias entre elas e a intenção não é essa e sim vivermos unidos, em uma só grande comunidade”.

A advogada Renata Baracat estudou em Coimbra e vive em Lisboa : não sinto preconceito por ser lésbica
A advogada Renata Baracat estudou em Coimbra e vive em Lisboa : não sinto preconceito por ser lésbica L. Quaresma

Portugal reconhece o casamento gay

Alex de Lima, que já mora em Portugal há mais de vinte anos, também acredita que Portugal se tornou um porto seguro para a comunidade e a migração em massa é fruto da insegurança que se vive no Brasil.

“Eu conheço algumas pessoas que migraram não só para Portugal, como para outros países por conta do governo. Isto é um fato hoje no Brasil. Por outro lado, Portugal tem esse suporte de apoio em prol do casamento gay, é aprovado, reconhecido e isso facilita a inserção. Facilitando a inserção, há um respeito pelo casal homoafetivo que precisa ter seu reconhecimento enquanto cidadão, profissional sendo casado e Portugal permite isso, suporta e apoia!”, cita Alex.

O português Hugo Cordeiro acredita que muitos gays deixaram o Brasil por medo do novo governo
O português Hugo Cordeiro acredita que muitos gays deixaram o Brasil por medo do novo governo L. Quaresma

O português Hugo Cordeiro, acredita que os brasileiros estão fugindo do governo de Bolsonaro e escolhem Portugal como nova casa. “Sem dúvida essa migarção é por causa do governo! Foi tipo um susto que tiveram lá, fugir aos problemas e ao que pode acontecer por lá. Estamos em contrastes: o preconceito no Brasil está aumentando e enquanto Portugal está sendo cada vez mais liberal. Eu acabo por ter muitos amigos brasileiros gays e não gays. Nos últimos anos minha lista de amigos aumentou em relação aos brasileiros e acabo por aprender muito e me sinto muito `a vontade”.

Meg Macedo passou no mestrado antes das eleições e ainda não estava certa se viria ou não para Portugal, mas a vitória de Bolsonaro ajudou na decisão. “Depois que o Bolosnaro se tornou Presidente da República isso foi o divisor de águas.Foi quando eu tive a certeza que esse era o momento certo, pois além de realizar um sonho de dar continuidade aos meus estudos eu não me sentia física, emocional e psicologicamente segura em meu país. Além disso, eu morava no Rio de Janeiro, um dos estados mais violentos do Brasil e onde o Bolsonaro teve a maioria dos votos “, conclui a representante do Queer Tropical, em Lisboa.

País mais hospitaleiro para a comunidade LGBTQI+

Portugal está no topo da lista de destinos mais hospitaleiros para a comunidade LGBTQI+ (lésbicas, gays, bissexuais, transgênero, queer e intersexo) em 2019, empatado com o Canadá e a Suécia, de acordo com o índice do Sparctacus International Gay Guide, guia sediado em Berlim, que dá dicas de viagem a turistas gay. Tem por base 14 critérios, divididos por três categorias, entre elas a dos direitos civis. Entre 2018 e 2019, Portugal subiu do 27.º lugar para o topo da lista, enquanto o Brasil surge na posição 68 e os Estados Unidos no lugar 47.

 

 

 

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