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"Sou branca, nasci num país rico e tenho passaporte adequado": capitã presa na Itália recebe apoio da França e Alemanha

Momento da prisão da capitã alemã Carola Rackete, 31, no desembarque em Lampedusa, na Itália.
Momento da prisão da capitã alemã Carola Rackete, 31, no desembarque em Lampedusa, na Itália. REUTERS/Guglielmo Mangiapane

"Sou branca, nasci em um país rico e tenho o passaporte adequado", disse a alemã Carola Rackete, quando um jornalista italiano do La Reppublica perguntou esta semana o que teria levado uma pesquisadora ambiental a se tornar capitã de um navio humanitário que resgata migrantes no Mediterrâneo. Neste domingo (30), a França e a Alemanha reagiram duramente à prisão da capitã durante o desembarque do Sea Watch 3, na ilha de Lampedusa.

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"Não foi um ato de violência, apenas de desobediência", disse a capitã em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera neste domingo (30). Ela é acusada de tentar uma manobra perigosa contra o barco do governo italiano, que queria impedi-la de atracar.

"A situação era desesperadora, meu objetivo era apenas desembarcar em terra firme essas pessoas exaustas e desesperadas", disse a alemã de 31 anos, que diz temer que os migrantes cometam suicídio pulando na água, uma vez que eles não sabem nadar. 

Anter de desembarcar em Lampedusa, o navio humanitário Sea Watch 3 permaneceu semanas no mar, aguardando uma decisão positiva do governo italiano.

Prisão

Presa na noite de sexta-feira para sábado, Carola Rackete foi colocada em prisão domiciliar antes de ser apresentada a um juiz de Agrigento (sul da Itália) no início desta semana.

A jovem, que se desculpou domingo por sua manobra marítima, é acusada na Justiça de forçar o bloqueio de águas italianas, imposto pelo ministro do Interior, Matteo Salvini, de extrema direita, com um decreto-lei entrou em vigor em meados de junho contra navios humanitários, que ele acusa de seres cúmplices de contrabandistas.

Ela também responde a outro crime, o de ter forçado a passagem, obrigando o barco da Alfândega de se retirar do cais. Um ato que a lei italiana chama de "resistência a um navio de guerra", e é punível com 10 anos de prisão.

Reação europeia

Muito críticos à atitude da Itália no caso, Paris e Berlim reagiram duramente. A França, que concordou em receber 10 dos 40 migrantes do Sea Watch 3, declarou neste sábado (29), por meio de seu ministro do Interior, Christophe Castaner, que a política italiana de fechamento de portos era contrária à lei marítima.

O ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, pediu um "rápido esclarecimento" das acusações contra Carola Rackete, dizendo que "salvar vidas é uma obrigação humanitária" e que o resgate no mar não deveria ser "criminalizado".

Neste domingo (30), o presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, também criticou a Itália, "um país fundador da Europa que, esperávamos, pudesse lidar com isso de forma diferente", disse à imprensa alemã.

A reação de Salvini

Irritado com as declarações da capitã Carola Rackete esta semana, o ministro do Interior da Itália decidiu reagir no Twitter:

"Mas não é que todos aqueles que nascem 'brancos, alemães e ricos' devem vir encher o saco na Itália, estou errado ??? O que o governo de Berlim pensa? É normal que um dos seus cidadãos venha até nós e diga: não estou nem aí para as leis italianas?"

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