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Alemanha exige que Itália liberte capitã do navio humanitário “Sea Watch 3”

Carola Rackete, capitã do "Sea"Watch 3", é escoltada por policiais da Sicília nesta segunda-feira, 1° de Julho de 2019.
Carola Rackete, capitã do "Sea"Watch 3", é escoltada por policiais da Sicília nesta segunda-feira, 1° de Julho de 2019. REUTERS/Guglielmo Mangiapane

As autoridades alemãs se mobilizam a favor de Carola Rackete, capitã do navio humanitário "Sea-Watch 3" presa por tê-lo atracado na ilha italiana de Lampedusa no último sábado (29) para o desembarque de 40 migrantes. A ambientalista compareceu nesta segunda-feira (1°) a uma primeira audiência em um tribunal na Sicília.

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O ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas, afirmou nesta segunda-feira que a Itália deve libertar a ativista. "Do nosso ponto de vista, o processo judicial só pode ser concluído com a libertação de Carola Rackete", escreveu Maas no Twitter. "Nós nos opomos à criminalização do resgate marítimo", acrescentou.

O chefe da diplomacia alemã ainda declarou que é preciso encontrar uma solução urgente para a questão dos migrantes resgatados no mar. "A comercialização da distribuição dos refugiados é indigna e deve cessar", concluiu Maas.

A libertação de Carola Rackete, de 31 anos, também foi discutida durante a cúpula europeia, em Bruxelas, nesta segunda-feira. O presidente do Conselho Italiano, Giuseppe Conte, explicou à chanceler alemã, Angela Merkel, que o caso da ambientalista está nas mãos da justiça italiana e que o executivo não pode interferir.

A jovem pode ser libertada à espera de julgamento e rapidamente expulsa, já que o ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, disse que já havia assinado um decreto de expulsão. O juiz terá 48 horas para se pronunciar sobre o destino da capitã.

"Um ato de guerra"

Carola Rackete violou na madrugada do último sábado o cerco imposto à embarcação "Sea-Watch 3", bloqueado na costa italiana com 40 migrantes a bordo. A jovem resolveu atracar no porto de Lampedusa, onde foi detida.

O ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, chamou a jovem de "pirata" e denunciou um "ato criminoso, um ato de guerra". Ele ordenou a prisão da alemã, prometendo embargar o navio, além de impor uma forte multa para a ONG.

Os migrantes estavam na embarcação desde 12 de junho, depois de terem sido salvos perto da costa da Líbia pelo "Sea-Watch 3". Segundo a capitã, a situação dentro do navio estava "extremamente tensa, com "pessoas exaustas e desesperadas", após aguardar semanas por uma decisão do governo italiano.

"Sou branca, nasci em um país rico e tenho o passaporte adequado", respondeu a alemã a um jornalista italiano do diário La Reppublica que perguntou o que teria levado uma pesquisadora ambiental a se tornar capitã de um navio humanitário.

Irritado com as declarações da jovem, Salvini reagiu no Twitter: "Por que todos aqueles que nascem 'brancos, alemães e ricos' devem vir encher o saco da Itália? O que o governo de Berlim pensa? É normal que um dos seus cidadãos venha até nós e diga: não estou nem aí para as leis italianas?", publicou.

De acordo com fontes policiais citadas pela imprensa italiana, Carola Rackete estava calma na delegacia e pediu perdão pelos riscos que provocou para o pequeno barco das forças da ordem, ao forçar a entrada no porto de Lampedusa. Se for considerada culpada, Carola Rackete pode ser condenada a até 10 anos de prisão.

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