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Linha Direta

Prisão da capitã do navio "Sea-Watch 3" divide opinião pública da Itália

Áudio 04:47
A capitã do navio "Sea Watch 3", Carola Rackete, foi presa no último sábado (29).
A capitã do navio "Sea Watch 3", Carola Rackete, foi presa no último sábado (29). REUTERS/Guglielmo Mangiapane

O futuro da capitã alemã Carola Rackete vai ser decidido nesta terça-feira (2) pela justiça da Itália. A ativista foi presa por ter violado na madrugada do último sábado (29) o cerco imposto ao navio humanitário "Sea-Watch 3" atracando a embarcação na ilha italiana de Lampedusa para o desembarque de 40 migrantes.

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Gina Marques, correspondente da RFI em Roma

Carola Rackete, de 31 anos, foi ouvida na segunda-feira (1°) em um tribunal em Agrigento, na Sicília, pela juíza Alessandra Vella. No depoimento, que durou duas horas e meia, a jovem voltou a pedir desculpas por ter colidido contra um navio militar italiano, alegando que o choque "não foi proposital". Mas para o promotor Luigi Patronaggio, a manobra foi realizada "com consciência e vontade".

A opinião pública da Itália está dividida entre favoráveis e contra ações humanitárias. Na segunda-feira (1°) o instituto de pesquisa SWG revelou 52% dos italianos acreditam que Carola Rackete errou enquanto 40% dos entrevistados afirmam que a capitã agiu corretamente. Para 15%, migrantes não devem desembarcar na Itália. Por outro lado, 29% pensam que alemã tomou a boa decisão devido à situação precária dos migrantes resgatados na costa da Líbia e que que estavam há vários dias no navio.

Destino da capitã

Se for considerada culpada, Carola Rackete pode ser condenada a até 10 anos de prisão. O ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, já disse que ela será expulsa do país.

A defesa da capitã afirma que ela agiu por extrema necessidade. Mas o procurador alega que, nos dias anteriores ao desembarque, os migrantes a bordo "Sea-Watch 3" haviam recebido assistência médica e que a capitã estava em contato frequente com as autoridades militares".

O promotor Luigi Patronaggio também solicitou a proibição da jovem alemã de permanecer na província de Agrigento, que inclui os portos de Lampedusa, Licata e Porto Empedocle "para não prejudicar a investigação".

Patronaggio explicou também que há outra investigação paralela sobre Carola Rackete: ela é suspeita de favorecer a imigração ilegal. "Vamos verificar se os portos da Líbia podem ser considerados seguros ou não e se houve contato entre os atravessadores e a Sea Watch” disse o promotor.

Outra investigação está ocorrendo sobre a divulgação ilegal da foto da capitã na delegacia junto com policiais. Na Itália, é proibido divulgar o retrato de prisioneiros.

Salvini contra ONGs humanitárias

Segundo cientistas políticos, as decisões de Matteo Salvini são calculadas para reforçar sua popularidade e desviar a atenção dos italianos dos problemas econômicos do país. A imprensa local ressalta que botes guiados por atravessadores continuam chegando em portos ou praias no sul da Itália. Mas, neste caso específico do "Sea-Watch 3", a atitude do ministro tem o objetivo de ratificar seu ultranacionalismo e travar uma batalha com a Alemanha, um dos países mais fortes da União Europeia.

Afinal, durante os 17 dias em que a embarcação aguardava a autorização para atracar no porto de Lampedusa, cinco países europeus já haviam demonstrado disponibilidade para o acolhimento dos 40 migrantes que estavam a bordo. A decisão de receber as pessoas foi tomada em conjunto por Portugal, França, Alemanha, Luxemburgo e Finlândia "num espírito de solidariedade europeia" e pelo "dever humanitário".

A verdade é que o partido de Salvini, A Liga, atrai cada vez mais eleitores ao levantar sua bandeira contra o que chama de "invasão de imigrantes". Não é à toa que 37% dos italianos afirmam que votariam hoje nesta legenda da extrema-direita.

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