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Itália/Imigração

Capitã de navio humanitário vai processar ministro italiano Matteo Salvini

Twitter da ONG Sea Watch, mostra Carola Rackete, capitã do navio de resgate Sea Watch 3 ao largo da costa de Lampedusa.
Twitter da ONG Sea Watch, mostra Carola Rackete, capitã do navio de resgate Sea Watch 3 ao largo da costa de Lampedusa. HO / Sea Watch / AFP

Um dos advogados de Carola Rackete, a capitã do navio humanitário "Sea-Watch" que contrariou o bloqueio italiano, anunciou nesta sexta-feira (5) que sua cliente processará por difamação o ministro do Interior, Matteo Salvini. O líder da extrema direita italiana fez vários insultos contra a jovem, desde que ela decidiu aportar em Lampedusa, com 40 migrantes a bordo.

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"Já preparamos a ação contra o ministro Salvini", declarou Alessandro Gamberini a uma rádio italiana. O advogado de Carola Rackete garantiu que "não é fácil fazer o inventário de todos os insultos feitos por Salvini nas últimas semanas". "No circuito dessas feras do teclado acostumadas aos insultos, é ele que agita as turvas águas do ódio. Uma ação por difamação é uma forma de lançar um sinal", acrescentou.

A reação de Salvini não tardou. A capitã alemã "viola as leis, ataca navios militares italianos e depois me processa", escreveu o ministro italiano nas redes sociais. "Não tenho medo dos mafiosos, imagine então de uma comunista alemã rica e mimada... Beijões", provocou ainda Salvini.

Desembarque humanitário

No comando do "Sea-Watch", Carola Rackete foi detida, logo após atracar sem autorização, no sábado (29), na ilha italiana de Lampedusa. Ela decidiu não respeitar o bloqueio imposto por Roma aos navios humanitários para desembarcar 40 migrantes, que estavam bloqueados em alto mar há mais de duas semanas.

Na terça-feira (2), uma juiz italiana invalidou sua detenção, argumentando que a capitã alemã agiu para salvar vidas. Duas investigações diferentes, por resistência a um oficial e por ajuda à imigração clandestina, seguem em curso contra ela. A jovem de 31 anos deve comparecer a um tribunal na Sicília na semana que vem, mas devido a ameaças de morte, ela está abrigada em um local secreto e sob forte esquema de segurança.

Durante a crise, Salvini inflacionou suas declarações e tuítes furiosos contra Carola, descrevendo-a como "problemática", "criminosa", ou "uma pobre mulher que apenas tentou matar cinco militares italianos".

Mais uma ONG desafia Salvini

Alguns dos 54 migrantes a bordo do Alex da ONG Mediterrânea Saving Humans, depois de serem salvos do naufrágio ao largo da costa da Líbia
Alguns dos 54 migrantes a bordo do Alex da ONG Mediterrânea Saving Humans, depois de serem salvos do naufrágio ao largo da costa da Líbia Captura de vídeo Saving Humans

Um veleiro, fretado pela ONG italiana Mediterranea, resgatou um grupo de 54 migrantes na quinta-feira (4), mas foi impedido de aportar em Lampedusa. O barco está bloqueado na costa da ilha italiana, escoltado pelo navio humanitário espanhol "Open Arms".

Diante do impasse, o governo de Malta negociou um acordo com Roma. O governo maltês anunciou nesta sexta-feira o envio de um navio militar para ajudar os migrantes resgatados pela Mediterranea, impedidos de desembarcar em Lampedusa, e que serão acolhidos em La Valeta. Em troca, a Itália receberá 55 migrantes de Malta, afirma um comunicado.

Um decreto do ministro do Interior Matteo Salvini, que entrou em vigor no início do mês, proíbe a entrada em águas italianas de barcos humanitários com migrantes. "O decreto é ilegítimo, porque não pode ser aplicado a um barco que fez uma operação de resgate para salvar vidas no mar", reagiu a Mediterranea nas redes sociais, repetindo os termos utilizados na terça-feira pela juíza que invalidou a prisão de Carola Rackete, que também ignorou o decreto.

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