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Linha Direta

Para evitar gravidez precoce, projeto investe em visita de jovens jogadoras brasileiras à Holanda

Áudio 04:56
Dia do encerramento da campanha de arrecadacao de fundos dia nacional de treino de times femininos juvenis.
Dia do encerramento da campanha de arrecadacao de fundos dia nacional de treino de times femininos juvenis. C. Caracciolo

A equipe juvenil de futebol feminino de Codó, a 298 km de São Luís (MA), marcou um gol de placa na Holanda. Jogadoras da seleção holandesa e de outros times de futebol profissional e amador do país arrecadaram cerca de R$ 240.000,00 (€ 56.721,00), em uma campanha que durou três meses, para apoiar o projeto La League. Esta iniciativa, idealizada pela ONG Plan Internacional em parceria com as Fundações Johan Cruyff e Women Win, tem o objetivo de tirar o Brasil da quarta posição no ranking mundial de casamento infantil e gravidez precoce.

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Clivia Caracciolo, correspondente em Amsterdã

O primeiro lugar neste ranking mundial é da Índia, com 26.610 casos de gravidez infantil por ano. Bangladesh ocupa a segunda posição, com 3.931 casos, e, em terceiro lugar, está a Nigéria com 3.306 nascimentos de bebês de mães adolescentes. O Brasil, segundo o relatório da Unicef, registrava 2.928 casos até a publicação do último documento, em 2017.

Seis integrantes da equipe de Codó e duas educadoras sociais estiveram recentemente em Amsterdã para buscar o cheque simbólico que pode ajudar, de várias maneiras, adolescentes dessa região pobre do Maranhão a trilhar outro caminho. As jogadoras Edinalva, Jackeline, Gleyce Kelle, Tamires, Karine e Cristiane participaram de várias atividades relacionadas com as metas do projeto, como fortalecimento pessoal, desenvolvimento da autoestima, disciplina para frequentar e ter bom desempenho na escola, se apresentar em público e buscar independência emocional e financeira, de maneira que não vejam na união conjugal precoce a única alternativa para seguir na vida.

Codó foi eleita para o projeto por ter apresentado, no Censo de 2010, um dos índices mais baixos de Desenvolvimento Humano (IDH) de todo o Brasil. A pobreza na região explica o elevado número de nascimentos ocorridos de mães com menos de 19 anos de idade, de acordo com relatório da Unicef sobre o tema no Brasil.

Empoderamento para combater precariedade

Na visita à Holanda, as seis adolescentes participaram de amistosos com times amadores de meninos e meninas, foram conhecer o estádio do time Ajax, fizeram oficinas de como falar com objetividade e exercitar a capacidade de liderança e companheirismo, visitaram museus e outras atrações. Elas também participaram de um dia inteiro de treinamento com técnicos profissionais, juntamente com 250 meninas da mesma faixa etária, que treinam em escolinhas de futebol holandesas.

A equipe de Codó também foi sensibilizada para repassar as orientações que receberam sobre educação sexual, saúde feminina e outros conceitos a amigas e amigos, de maneira que a desigualdade de gênero se torne cada vez menor no meio social em que vivem. As atividades do projeto incluem a família, os meninos da comunidade e fortalecem os laços com os pais ou a figura masculina de referência para as jogadoras.

A viagem foi avaliada pelas integrantes da equipe como uma experiência inesquecível e de muito aprendizado. As educadoras sociais, Rosângela e Gabriela, que acompanharam o time, disseram que o alto nível dos técnicos e técnicas da Holanda as impressionou. A confirmação dessa percepção se deu no desempenho da seleção laranja liderada pela técnica Sarina Wiegman, que levou o time invicto até a final da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2019. No último domingo (7), a Holanda enfrentou a experiente seleção dos Estados Unidos. As americanas conquistaram o tetracampeonato com um placar de 2 a 0. Mas as holandesas são vice-campeãs.

Além do Brasil, o projeto La League também apoia adolescentes na Nicarágua.

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