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Capitã alemã que salvou migrantes no Mediterrâneo é destaque de jornal francês

O jornal Le Figaro traz um perfil da capita alemã Carola Rackete, que foi presa por salvar imigrantes no Mediterrâneo.
O jornal Le Figaro traz um perfil da capita alemã Carola Rackete, que foi presa por salvar imigrantes no Mediterrâneo. Fotomontagem RFI

O jornal Le Figaro desta sexta-feira (12) traz um perfil de página inteira de Carola Rackete, a capitã do navio humanitário Sea Watch 3, que desembarcou à força em Lampedusa, no final de junho, com 41 pessoas resgatadas no Mediterrâneo.

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“Vamos aos fatos. A União Europeia deve assumir a responsabilidade diante de seus erros”, disse Rackete à revista Der Spiegel. Aos 31 anos, a jovem alemã se transformou em personalidade internacional ao mostrar seriedade, comprometimento e coragem.

Durante três semanas, no comando do Sea Watch 3, ela navegava o litoral da Líbia. “É onde acontecem os resgates”, explica Le Figaro. “Os traficantes amontoam os migrantes em embarcações improvisadas, que não tem capacidade nem combustível para ir mais longe. Os migrantes vão morrer ou vão ser socorridos. Um desses botes, com cerca de cinquenta pessoas a bordo, cruzou o Sea Watch 3”, continua o jornal.

A jornada mal havia começado. Itália e França negaram permissão para desembarque. Uma dezena de pessoas puderam descer do navio por razões médicas. As capitais europeias jogaram a responsabilidade umas nas outras. A ONG Sea Watch tentou um recurso jurídico, em vão.

Diante da situação insustentável dentro da embarcação, Carola decidiu aportar à força em Lampedusa, na Sicília, na noite de 28 para 29 de junho. O Sea Watch 3 chegou a atingir um navio da alfândega italiana.

Prisão

Carola Rackete foi presa e responde a dois processos, um por ajudar a imigração clandestina e outro por resistência a um oficial.

Militante ecologista, envolvida em operações no mar Ártico, Rackete se juntou à Sea Watch em 2016, para conciliar suas competências em navegação e sua ética pessoal, “que alia consciência ambiental e sensibilidade à causa dos refugiados”, segundo ela mesma.

Hugo Grenier, enfermeiro francês que participa regularmente de missões na Sea Watch, é testemunha da seriedade da capitã. “As pessoas não têm ideia do que é ter 40 pessoas a bordo. Primeiramente elas estão aliviadas, mas ao mesmo tempo exaustas, desidratadas, com problemas de saúde.

Algumas estão traumatizadas. Em alguns dias, essa coabitação pode se degradar”, conta Grenier.  “É como se estivessem de novo numa prisão”, explica.

Líbia pesadelo dos migrantes

A volta à Líbia, um Estado falido e ameaçado de guerra civil, é o pesadelo desses homens e mulheres que arriscam a vida para chegar à Europa, diz Figaro. A guarda-costeira tenta prender os migrantes antes que alcancem águas internacionais. As ONGs de resgate recebem críticas de serem parte do tráfico humano.

O Sea Watch 3 é um dos poucos que circulam pelo Mediterrâneo atualmente. Em 2016 uma dúzia de embarcações faziam o mesmo na região. O número de migrantes que tentam a travessia diminui consideravelmente.

No primeiro semestre de 2019, cerca de 4.000 ilegais chegaram às costas italiana e maltesa. No mesmo período do ano passado, eles eram mais de 16 mil.
Com o fechamento dos portos italianos pelo governo populista de Roma, os candidatos ao exílio tentam outras rotas, em direção à Espanha ou Grécia.

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