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A Semana na Imprensa

Ortopedista russo faz algumas crianças com paralisia cerebral recuperar movimentos na Espanha

Áudio 03:16
Foto do médico russo Igor Nazarov publicada pela revista L'Obs.
Foto do médico russo Igor Nazarov publicada pela revista L'Obs. DR

A revista semanal francesa L’Obs traz nesta semana uma reportagem sobre o cirurgião ortopedista russo Igor Nazarov. Ele trabalha em um hospital privado de Barcelona há 14 anos e já operou 1.000 crianças e adolescentes franceses vítimas de paralisia cerebral e deformações dos membros. Em 25% dos casos, as deformações foram sanadas e os pacientes conseguiram andar.

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Nazarov é procurado por uma técnica que aprendeu em Toula, cidade a 200 km ao sul de Moscou, transmitida por um cirurgião soviético já falecido e que permite a uma parcela dos pacientes com paralisia cerebral recobrar movimentos normais. O procedimento que ele aplica não é invasivo e consiste em fazer incisões, com um bisturi criado sob medida, na faixa de tecido conjuntivo que envolve os músculos – a fáscia muscular – em membros atrofiados. É como se ele desfizesse a costura de um tecido.

Essa técnica é recomendada principalmente para crianças hipertônicas, que apresentam um quadro de espasticidade, um enrijecimento muscular anormal e imobilizante. O tratamento mais frequente nesses casos é a fisioterapia. Para alguns pacientes, há recomendação cirúrgica. A aplicação da toxina botulínica, mais conhecida como Botox, também tem melhorado os movimentos de algumas crianças e diminuído dores em quadros de paralisia cerebral.

Nazarov escreveu uma tese sobre o assunto em 1992, ainda na Rússia. Em 2005, ele se instalou em Barcelona, onde cobra € 4.800 por operação. Algumas vezes os pacientes precisam passar por mais de uma cirurgia, por causa do crescimento.

Comportamento fechado cria suspeitas

O que intrigou a L’Obs a investigar a trajetória desse médico, que não fala inglês e não publica artigos científicos documentando os êxitos que acumula com seus jovens pacientes, é o fato dele não querer compartilhar ou transmitir sua técnica a nenhum colega. Ele mantém um misterioso sigilo sobre sua especialidade, o que faz um ortopedista francês ouvido na reportagem considerar essa postura suspeita e chamar o russo de charlatão. Por outro lado, outros seis grandes cirurgiões de Paris ouvidos a respeito elogiaram o trabalho de Nazarov, afirmando que ele é um bom cirurgião e não põe em risco seus pacientes.

A jornalista autora da reportagem, Nolwenn Le Blevennec, foi até Barcelona interrogar o médico. Ele contou a ela que não abre seu bloco operatório a colegas porque outros cirurgiões foram até lá para “interceptar” sua técnica, desacreditá-la e fazer dinheiro nas costas dele. Quanto às publicações científicas, Nazarov se esquivou, comentando apenas que era “complicado”. Na Rússia, ele tem pelo menos um colega formado pelo mesmo cirurgião soviético falecido que aplica a mesma técnica e cobra apenas € 500 por intervenção.

A jornalista da L’Obs deixou Barcelona com a sensação de que, às vezes, o progresso da medicina é bloqueado pela teimosia de um personagem que não se deu ao trabalho de aprender a falar inglês.

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