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Linha Direta

Em Biarritz, Boris Johnson tenta ainda alternativa para um Brexit menos drástico

Áudio 04:56
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, durante coletiva em Biarritz, França, em 25 de agosto de 2019.
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, durante coletiva em Biarritz, França, em 25 de agosto de 2019. Neil Hall/Pool via REUTERS

Em sua primeira cúpula internacional como primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson testou as águas entre europeus e americanos durante a reunião do G7, em Biarritz, na França. Sem saber como se dará o desenlace do Brexit, marcado para 31 de outubro, não podia se mostrar muito afoito atrás dos Estados Unidos, nem distante da União Europeia.

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De Londres, Vivian Oswald, correspondente da RFI

Sempre atento aos olhos da mídia, ele foi literalmente testar as águas. Aproveitou a manhã quente de domingo no luxuoso balneário francês, que recebeu uma estrutura de segurança inédita para a cúpula do G7, e foi nadar na baía de Biscaia, no Oceano Atlântico, antes das reuniões. Foi o único chefe de governo a fazer isso. Boris tem o hábito de sair de bicicleta antes do trabalho em Londres. Na agenda do dia, ele tinha algumas prioridades. Mas, diante da fragilidade interna do Reino Unido e das incertezas sobre o Brexit, tinha de tentar costurar uma boa relação com Trump, sem perder os europeus de vista. Até porque ele ainda tenta buscar uma saída menos caótica para o Brexit.

Perspectivas de um "no deal"

Sem um acordo com a União Europeia, analistas e empresários temem um caos econômico no Reino Unido depois do dia 31 de outubro. Mas as perspectivas não parecem boas. Johnson se encontro com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk. Este último disse-lhe que ficaria conhecido como Mr. No deal, ou seja, seria responsável por uma saída abruta da União Europeia, sem acordo. O britânico tentou mostrar-se otimista. Mas disse que é preciso estar preparado para um Brexit sem um entendimento. Ele teria dito a Tusk que o Reino Unido deixa da UE com ou sem acordo no dia 31 de outubro.

Dos Estados Unidos, ouviu de Donald Trump que ele, Boris, era a pessoa certa para conduzir o Brexit. O americano também afirmou que o Reino Unido estava prestes a se libertar das suas amarras com os europeus. Trump ainda acenou com uma possiblidade de acordo comercial. Não significa que terá um entendimento, não como gostariam os britânicos.

Contra o protecionismo

Trump afirmou que estava disposto a discutir um "grande acordo" com o Reino Unido. E disse que "tirar a âncora europeia do pé dos britânicos" facilitaria esse entendimento. Boris Johnson, por sua vez, afirmou que os americanos também teriam de se comprometer a tirar várias barreiras protecionistas do caminho. Ele ainda manifestou grande preocupação com a guerra comercial entre Estados Unidos e China.

O protecionismo foi um ponto em que Johnson bateu bastante. Aliás, é um dos pontos de fricção entre os países do G7. O britânico disse que "aqueles que apoiam o aumento de tarifas correm o risco de serem os responsáveis pela queda do crescimento global".

O discurso protecionista acabou tendo o Brasil como alvo, depois que o presidente francês Emmanuel Macron, sugeriu que seu pais não ratificaria o acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia em junho deste ano para pressionar o Brasil a tomar providências contra os incêndios na Amazônia.

Crítica velada a Macron

Boris Johnson foi um dos chefes de governo a defender a ratificação do acordo. Ele disse que "tem todo o tipo de gente que usaria qualquer desculpa para interferir no comércio e frustrar acordos comerciais", e que ele não quer que isso aconteça. O alvo da crítica, sem dar nome aos bois, era Macron. A posição do francês tem sido vista como protecionista. A Alemanha e a Espanha manifestaram sua preocupação com a Amazônia, mas também deram a entender que o acordo está de pé. Macron acabou isolado na tentativa de pressionar o Brasil. Ao final do encontro, contudo, houve consenso sobre ajudar o Brasil e outros países amazônicos afetados pelos incêndios.

De modo geral, o clima da cúpula do G7 em geral foi tenso. Tanto é que se optou por sequer divulgar o tradicional comunicado final para evitar o que ocorreu no ano passado, quando Trump desautorizou o documento e criou certo constrangimento entre os canadenses, que organizaram a cúpula.

Até algum tempo atrás, o G7, o grupo dos países que reúne Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Japão, Estados Unidos e Canadá, tinha perdido importância. A grande crítica era que este pequeno grupo já não representava a configuração global contemporânea, que o G20 seria mais representativo. O Brasil, que acabou se tornando um dos focos deste encontro em Biarritz, em função das queimadas na Amazônia, não participa do G7, mas é um dos integrantes do G20.

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