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Linha Direta

Protestos “contra golpe” de Johnson levarão milhares às ruas no Reino Unido

Áudio 04:39
eputados e ativistas contrários ao Brexit e indignados com a decisão do primeiro-ministro britânico Boris Johnson iniciaram uma batalha legal nesta quinta-feira para tentar impedir a suspensão do Parlamento
eputados e ativistas contrários ao Brexit e indignados com a decisão do primeiro-ministro britânico Boris Johnson iniciaram uma batalha legal nesta quinta-feira para tentar impedir a suspensão do Parlamento REUTERS/Tom Jacobs/File Photo

Milhares de pessoas pretendem voltar às ruas em várias cidades do Reino Unido neste fim de semana, contra a decisão do primeiro-ministro Boris Johnson de suspender os trabalhos do Parlamento por cinco semanas, a dois meses do Brexit. Críticos o acusam de atacar a democracia.

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O Parlamento britânico ainda está em recesso de verão e volta ao trabalho na semana que vem. Mas, diante da iniciativa do governo, que teve a chancela protocolar da rainha Elizabeth II, terá poucos dias para debater o Brexit e até para reverter essa medida de suspendê-lo entre os dias 10 de setembro e 14 de outubro.

Era exatamente isso o que queria o primeiro-ministro: dar aos parlamentares pouco tempo para interferir no processo e evitar que costurassem uma forma de impedir um Brexit sem acordo, como vinham fazendo. Boris Johnson já disse que no dia 31 de outubro, a data prevista para que o Reino Unido deixe a União Europeia, o país sai com ou sem acordo.

Não se trata de uma iniciativa ilegal, nem incomum. A própria corte já deu seu parecer e confirmou a suspensão. Em geral, essa espécie de novo recesso acontece no outono, exatamente antes de o governo anunciar um novo programa anual para a legislação. A diferença agora está no fato de esta pausa ser mais longa do que o usual, em um momento crucial para o futuro do país, às vésperas do Brexit. O efeito prático da suspensão é reduzir o tempo daqueles que são contra a saída abrupta do Reino Unido da União Europeia, ou seja, sem um acordo.

Protestos “contra golpe” de Johnson

Por mais que seja legal, a avaliação de analistas é a de que a decisão não segue o espírito democrático do país. Pelo contrário: seria um ataque a uma das democracias mais consolidadas do mundo. Fala-se de abuso de poder – e foi o que levou milhares às ruas em pelo menos 10 cidades do país, horas depois do anúncio da medida, na quarta-feira (28).

Uma petição com mais de 1,5 milhão de assinaturas pede que a medida seja revertida. Para este fim de semana, já há mais de 60 protestos previstos para acontecer pelo país inteiro. Nas redes sociais, a coalizão daqueles que defendem a permanência do Reino Unido na União Europeia convocam manifestantes para o protesto “Pare o golpe, defenda a democracia”. Há quem defenda que a medida de Boris Johnson foi inteligente, para mostrar aos europeus que não há tempo para voltar atrás e, assim, tentar arrancar deles concessões. Mas a análise mais frequente é a de que se trata de uma iniciativa que demonstra fragilidade do governo, uma tentativa de Boris Johnson não só de garantir o Brexit, mas evitar a convocação de novas eleições gerais para tirá-lo do cargo.

Legitimidade questionada

O primeiro-ministro não foi escolhido em uma eleição geral, por um percentual significativo do Parlamento, que representa uma parcela importante da população. Por isso, o que está em questão é a sua legitimidade. Após a renúncia da sua antecessora Theresa May, os conservadores realizaram numa eleição interna entre os seus filiados apenas. Ou seja, foi um pleito de 92 mil pessoas, ou 0,1% do eleitorado britânico.

Além disso, os conservadores tampouco têm maioria entre os parlamentares na Câmara dos Comuns: dependem do apoio de dez deputados de um pequeno partido regional (o DUP, na Irlanda do Norte). A Escócia, a líder dos conservadores Ruth Davidson, anunciou a sua renúncia depois de oito anos no comando na legenda. Era ela quem segurava algum tipo de apoio para os conservadores na Escócia, onde garantiu assentos para o partido no Parlamento, apesar de a legenda ser historicamente impopular na região.

Nesta sexta-feira, um tribunal da Escócia rejeitou um recurso que tentava barrar a suspensão do Parlamento decidida por Johnson. A decisão do principal tribunal de Edimburgo é um novo revés para oposição britânica, que tenta ampliar o período de debates para evitar uma saída sem acordo da União Europeia.

Indefinições persistem

Diante de tudo isso, nem os analistas estão querendo prever o que acontecerá no futuro próximo no Reino Unido. A temperatura subiu e tudo pode acontecer, e o certo é que Boris Johnson fica desgastado com esse episódio.

Quanto ao Brexit, as incertezas continuam no ar, mesmo com todas as indicações do governo de que a saída da União Europeia acontecerá, custe o que custar. O fato é que continuam todos insatisfeitos, seja quem votou contra o Brexit ou a favor.

O referendo a partir do qual a população optou por deixar o bloco europeu foi convocado pelo partido conservador do ex-primeiro-ministro David Cameron e realizado em junho de 2016. O processo é doloroso, já dura mais de três anos e pode ter consequências imprevisíveis para o Reino Unido, se acontecer de maneira abrupta.

 

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