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Franco/exumação

Justiça espanhola aprova exumação do corpo do ditador Franco

Mausoléu de Francisco Franco, construído por presos políticos.
Mausoléu de Francisco Franco, construído por presos políticos. Wikipedia commons/Pablo Forcén Soler

O Supremo Tribunal espanhol aprovou nesta terça-feira (24) a exumação do corpo de Francisco Franco de seu monumental mausoléu nos arredores de Madri, alvo de uma disputa judicial entre o governo do social-democrata Pedro Sánchez e os descendentes do ditador.

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O tribunal "decidiu por unanimidade negar em sua totalidade o recurso interposto pelos parentes de Francisco Franco em conexão com a exumação (...) acordada pelo governo", afirmou o tribunal em um breve comunicado.

Com a decisão, os juízes validam não apenas a exumação dos restos mortais do Vale dos Caídos, mas também a decisão do governo de enterrá-lo com sua esposa no discreto cemitério de El Pardo, no norte de Madri.

A exumação, porém, não será imediata, porque o mesmo tribunal deve analisar três outros recursos pendentes, embora seja provável que a decisão vá "na mesma linha", segundo uma fonte do Supremo Tribunal.

Há um ano, o governo socialista tenta sem sucesso retirar os restos do ditador da monumental basílica construída pelo próprio Franco para enterrá-lo em um lugar mais discreto.

Vale dos Caídos

Franco dirigiu a Espanha entre 1939 e 1975 após vencer a Guerra Civil ocasionada pelo golpe de Estado militar de 1936. Desde a morte, em novembro de 1975, o corpo de Franco está no Vale dos Caídos, um imponente mausoléu a 50 km de Madri, que, por decisão do ditador, foi construído por milhares de presos políticos nos anos 40 e 50 do século passado.

No templo católico, dominado por uma cruz de 150m de altura, também estão os restos mortais de quase 27 mil combatentes leais a Franco e das vítimas de seu regime, quase dez mil republicanos retirados de fossas comuns e cemitérios e levados para o local sem aviso prévio às famílias.

O túmulo do general galego, acessível ao público e reverenciado por seus nostálgicos, fica no altar da basílica, sempre coberto com flores, uma "tumba de Estado" e de "exaltação" que para o governo socialista é inaceitável.

Pedro Sánchez fez da exumação de Franco um de seus cavalos de batalha. Mas, enquanto esperava concluir o procedimento até meados de 2018, esbarrou na firme rejeição e resistência dos herdeiros do ditador.

Família defende legado

É "inexplicável que os restos do ditador continuem em um mausoléu público. Uma democracia não pode compactuar em ter Franco em um mausoléu com essas características", insistiu a número dois do governo, Carmen Calvo.

A família, assim como a Fundação Francisco Franco, que defendem o "legado" e a "memória" do ditador, não vão desistir da batalha. "Continuaremos a lutar legalmente até o fim", alertou na semana passada Juan Chicharro Ortega, presidente da fundação.

Os familiares desejam que os restos mortais do ditador descansem com os de sua filha na cripta da catedral de Almudena, mas o governo se opôs à ideia para não transformar esse templo central de Madri em um local de peregrinação.
   

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