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Papa Francisco nomeia cardeais especialistas em islã, imigração e meio ambiente

Papa Francisco cumprimenta Dom Eugenio Dal Corso, missionário italiano em Angola, um dos 13 novos cardeais nomeados neste sábado (5).
Papa Francisco cumprimenta Dom Eugenio Dal Corso, missionário italiano em Angola, um dos 13 novos cardeais nomeados neste sábado (5). REUTERS/Yara Nardi

O papa Francisco nomeou neste sábado (5), em uma cerimônia solene na basílica de São Pedro, 13 novos cardeais, incluindo especialistas em diálogo com o islã e religiosos ligados a temas como imigração e meio ambiente.

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Os religiosos receberam o tradicional anel dos cardeais das mãos do pontífice, depois de jurarem fidelidade em latim. Durante a homilia, Francisco lembrou que um cardeal deve ser leal e ter, acima de tudo, compaixão. "Muitos comportamentos injustos dos homens da igreja dependem da falta desse senso de compaixão", alertou o pontífice.

Cada Consistório para a nomeação de novos cardeais é visto como mais um passo para modelar uma escola que compartilhe a visão do papa argentino e que, um dia, deverá escolher seu sucessor. O próximo papa poderá ser um desses nomeados.

De um total de 225 cardeais, 128 têm menos de 80 anos e podem votar em um futuro conclave. Entre esses eleitores, mais de 52% foram eleitos diretamente por Francisco, um terço por Bento XVI e 14% por João Paulo II.

Metade dos novos cardeais tem o perfil de "missionários", revela um deles, monsenhor Miguel Ángel Ayuso Guixot, um discreto espanhol de 67 anos de idade, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Interreligioso. O religioso estava em missão no Egito e no Sudão e é um grande especialista em islã. O monsenhor espanhol Cristóbal López Romero, arcebispo de Rabat desde 2017, considera sua nomeação como um "impulso para as comunidades católicas do norte da África quase invisíveis".

O monsenhor guatemalteco Álvaro Ramazzini, de 72 anos, arcebispo da diocese de Huehuetenango, na Guatemala é um firme protetor dos mais desfavorecidos, migrantes e indígenas, além de defensor de causas ambientais. Já Matteo Zuppi, 63 anos, arcebispo de Bolonha na Itália, membro da comunidade Sant'Egidio defende o acolhimento de fiéis homossexuais pela igreja.

Os novos cardeais também incluem o jesuíta canadense de origem tcheca Michael Czerny, vice-secretário de uma seção do Vaticano encarregada de migrantes e refugiados, em colaboração direta com o papa Francisco.

Igreja no mundo moderno

Segundo observadores, o sumo pontífice é profundamente dedicado a "uma igreja inscrita no mundo moderno", em consonância com o Concílio Vaticano II. Por isso, ele fez questão de nomear cardeais de todos os continentes.

Da Ásia, vem o arcebispo de Jacarta, na Indonésia, Ignatius Suharyo Hardjoatmodjo, e da África o arcebispo de Kinshasa, Fridolin Ambongo Besungu. Os representantes da Europa incluem o arcebispo de Luxemburgo, Jean-Claude Höllerich, de 61 anos, presidente da Comissão de Episcopados da União Europeia. O mais novo dos novos cardeais é o monsenhor José Tolentino Medonça, português de 53 anos, com um perfil atípico por ser arquivista e bibliotecário da Santa Igreja Romana.

O papa também nomeou outros três religiosos que não podem ser eleitores já que têm mais de 80 anos. São o arcebispo britânico Michael Louis Fitzgerald, ex-embaixador do Vaticano, especialista em islã, Dom Eugenio Dal Corso, missionário italiano em Angola e um jesuíta lituano, arcebispo emérito de Kaunas, o monsenhor Sigitas Tamkevicius, que passou vários anos em uma prisão soviética por ter escrito um jornal clandestino sobre as perseguições dos católicos.

(Com informações da AFP)

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