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Portugal

Portugal: Costa negociará nova coalizão para garantir estabilidade do governo

O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, venceu as eleições parlamentares de domingo, mas sem obter maioria na Assembleia.
O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, venceu as eleições parlamentares de domingo, mas sem obter maioria na Assembleia. REUTERS/Jon Nazca

Com uma vitória incontestável de 36,6% dos votos, porém sem obter a maioria absoluta no Parlamento, o primeiro ministro português, António Costa, disse que o Partido Socialista sai reforçado das eleições legislativas realizadas no domingo (6). Costa afirmou que vai iniciar negociações com os partidos de esquerda para uma solução de governabilidade que garanta mais quatro anos de “estabilidade", a palavra mais sublinhada no seu discurso de vitória. O desempenho dos socialistas nas urnas foi quase dois pontos inferior ao que indicavam as últimas pesquisas.

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Adriana Niemeyer, correspondente da RFI em Lisboa

Costa abre a porta não só aos partidos que o acompanharam na proposta de governo chamada de “geringonça” – o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda –, mas também aos partidos ecologista PAN, com quatro lugares no Parlamento, e o Livre, que elegeu a sua primeira deputada, Joacine Moreira, de origem africana, apresentando um programa de uma esquerda verde “antiracista e antifascista”.

Os sociais-democratas do PSD sofreram uma grande derrota se comparada com a votação registrada nas eleições de 2015, quando venceram o pleito mas não conseguiram formar um governo, atingindo nestas eleições 27,9%. Foram dez pontos a menos do que nas eleições precedentes. O segundo partido da direita, o CDS-PP, sofreu uma derrota ainda maior, conquistando apenas 4,5% dos votos. O revés fez a secretária-geral da legenda, Assunção Cristas, anunciar sua demissão ainda no fervor da noite eleitoral.

A abstenção de 45,5% dos eleitores com direito a voto foi a maior da história democrática do país e chamou a atenção de vários políticos para uma reflexão sobre o desinteresse do eleitorado.

De acordo com a historiadora Raquel Varela, “é muito preocupante a evolução da abstenção entre 1975 – quando 95% dos portugueses se mobilizaram para eleger a nova República – e os dias hoje”. Para a especialista, esse fato não pode ser explicado só por “um bom domingo de praia ou pela ausência de consciência sobre o valor universal da democracia”.

Preocupação com a extrema direita

No seu discurso, António Costa deixou bem claro que “não quer contar para nada” com o partido de extrema direita Chega, que entra para o Parlamento português com a eleição de um deputado.

O fundador do partido Livre, Rui Tavares, declarou estar preocupado com o fato da extrema direita chegar à Assembleia da República, apelando a um “exame de consciência”, apesar de a esquerda ter se afirmado ainda mais no cenário político português. Por outro lado, o líder do Chega, André Ventura, apelou "à calma", garantindo que o seu partido é democrático e "não há razões para alarme".
 

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