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Exumação do corpo de Franco inflama opinião pública da Espanha

Homem queima a foto do ditador Francisco Franco diante do Supremo Tribunal de Justiça, em Madri, na Espanha.
Homem queima a foto do ditador Francisco Franco diante do Supremo Tribunal de Justiça, em Madri, na Espanha. REUTERS/Juan Medina

A imprensa francesa desta quarta-feira (9) se concentra sobre a polêmica em torno da exumação dos restos mortais do general Francisco Franco, mais de 40 anos após sua morte. Há cerca de um ano e meio, o governo socialista da Espanha começou uma batalha para retirar o túmulo do ditador do monumental mausoléu localizado perto de Madri.

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"A Espanha dividida sobre o túmulo do general Franco" é manchete do jornal Le Figaro. O enviado especial do diário a Madri explica que a exumação dos restos mortais do ditador era uma promessa do chefe do governo socialista da Espanha, Pedro Sánchez, que, como muitos espanhóis, considera o templo em homenagem ao ditador exagerado.

Franco dirigiu a Espanha entre 1939 e 1975, após vencer a Guerra Civil ocasionada pelo golpe militar de 1936. Desde sua morte, em 1975, o corpo de Franco está no Vale dos Caídos, um imponente mausoléu a 50 quilômetros de Madri. Por decisão do próprio ditador, o local foi construído por milhares de presos políticos espanhóis nos anos 1940 e 1950.

Neste templo católico, onde se destaca uma cruz de 150 metros de altura, também estão os restos mortais de quase 27 mil combatentes leais a Franco e das vítimas de seu regime, quase dez mil republicanos, retirados de fossas comuns e cemitérios e levados para o local sem aviso prévio às famílias. O túmulo do general, acessível ao público e reverenciado por seus admiradores, fica no altar da basílica, sempre coberto com flores.

Guerra entre família Franco e Pedro Sánchez

A exumação para o cemitério El Pardo, onde está sepultada a esposa de Franco, Carmen Polo, já foi aprovada pela Justiça espanhola. O maior obstáculo, segundo o jornal, é a família Franco, apoiada pelos populistas do partido Vox. Já o partido liberal Cidadãos acusa Pedro Sánchez de politizar a polêmica, a algumas semanas das eleições antecipadas de 10 de novembro.

O jornal La Croix destaca que, desde a decisão da justiça sobre a exumação, a quantidade de visitantes ao mausouléu se multiplicou. "Nostálgicos do franquismo aproveitam os últimos dias antes da retirada dos restos mortais do ditador", afirma.

Para outros visitantes entrevistados pelo diário, retirar o túmulo de Franco do monumento só serve para "remoer o passado". Outros acreditam que o valor que será utilizado na operação poderia ser destinado a outros fins "mais importantes".

Mas, na visão do atual governo, a questão tem outro significado, explica o diário. "Pedro Sánchez está perto de obter uma vitória simbólica", para tentar encerrar um capítulo trágico da história do país, conclui o jornal La Croix.

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