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Futebol/Política

Em contexto de tensão na Síria, diplomacia boicota jogo entre França e Turquia

Seleção turca treina no Stade de France, enquanto políticos pedem que jogo contra França seja anulado.
Seleção turca treina no Stade de France, enquanto políticos pedem que jogo contra França seja anulado. Lucas BARIOULET / AFP

A ofensiva militar lançada por Ancara no norte da Síria teve repercussões até no mundo do esporte. As autoridades francesas, que criticam a postura do governo turco, pedem que o jogo desta segunda-feira (12) entre França e Turquia seja anulado. Um forte esquema de segurança foi montado para evitar incidentes durante a partida, que vale a qualificação para o Euro-2020.

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A polícia reforçou suas equipes nos arredores do estádio. Já os responsáveis pela segurança dentro do Stade France passarão dos 1.200 habituais para 1.400 homens.

Há temores de que torcedores turcos e militantes pró-curdos se enfrentem nas ruas, em reação à ofensiva de Ancara visando a minoria curda no norte da Síria. A ação militar que começou na semana passada já fez mais de 150 mortos e obrigou 130 mil pessoas a deixarem suas casas. 

As autoridades francesas temem confrontos nas redondezas do estádio, mas também no gramado, caso os jogadores reproduzam algum tipo de saudação militar, como fizeram após a vitória contra a Albânia na sexta-feira (11).

“Se os jogadores fizerem gestos militares, devem ser tratados como militares de um exército inimigo. Não devemos jogar futebol contra eles”, disse o líder da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon.

A chefe da extrema direita, Marine Le Pen, também pede que o jogo seja anulado. “Ao divulgar a propaganda de Recep Tayyip Erdogan, cujas ações preocupam a comunidade internacional, o time de futebol turco pisoteou os valores do esporte. Já está na hora de a UEFA sancionar a federação turca de futebol”, declarou.

A UEFA informou no fim de semana que pretende examinar o episódio de saudação militar dos jogadores turcos na partida contra a Albânia. A entidade lembrou que seu regulamento proíbe qualquer tipo de referência política ou religiosa durante os jogos.

“O que acontece na Síria é uma coisa e o jogo é outra. Pode ser que haja provocações, mas tentaremos evitá-las”, declarou o embaixador turco na França, Ismail Hakki Musa.

“Não quero que esse debate chame mais atenção que o jogo”, disse o técnico da seleção turca, Senol Günes. “Espero que todos respeitarão o espírito de fraternidade.” 

Chanceler anula presença

No final da manhã, poucas horas antes do jogo, o chefe da diplomacia francesa, Jean-Yves Le Drian, anunciou que não estará na tribuna dos representantes políticos, mesmo se sua presença estava prevista. Até o meio da tarde, a ministra do Esporte da França, Roxana Maracineanu, ainda não havia confirmado se assistiria a partida.

A ausência do chefe da diplomacia é vista como mais um sinal da oposição de Paris à atitude de Ancara, que desde a semana passada ataca os curdos no norte da Síria. A França, que denuncia uma “ofensiva unilateral”, havia informado no fim de semana que iria suspender suas vendas de armas para os turcos, seguindo os passos da Alemanha.

Nesta segunda-feira, a União Europeia (UE) também condenou oficialmente a operação militar turca no norte da Síria.

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