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UE/Brexit

UE apoia novo adiamento do Brexit, mas prazo não é consenso

O novo adiamento permitira que o primeiro-ministro Boris Johnson conseguisse negociar com o Parlamento britânico a ratificação do acordo sobre o Brexit.
O novo adiamento permitira que o primeiro-ministro Boris Johnson conseguisse negociar com o Parlamento britânico a ratificação do acordo sobre o Brexit. JESSICA TAYLOR / UK PARLIAMENT / AFP

Os parceiros europeus do Reino Unido aprovaram nesta quarta-feira (23) uma extensão do Brexit para evitar um divórcio sem acordo em 31 de outubro. No entanto, à duração do adiamento solicitado com relutância pelo primeiro-ministro britânico Boris Johnson, não é consenso e ainda é discutida.

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Os embaixadores que representam os integrantes da União Europeia (UE) em Bruxelas apresentaram a posição de cada país durante uma reunião, na capital europeia. "Todos concordaram com a necessidade de uma extensão para evitar o Brexit sem acordo", disse uma fonte no final do encontro. "O prazo desta extensão ainda está em discussão", acrescentou a fonte.

Uma nova reunião deve acontecer nesta sexta-feira (25) para tentar estabelecer a nova data de saída do Reino Unido do bloco.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, havia recomendado que os líderes dos 27 países da UE adiassem o Brexit até 31 de janeiro. A data parece ser aceita pelo primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, político fundamental para desbloquear o impasse nas negociações entre Bruxelas e Londres devido à delicada questão da fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte.

Brexit poderia acontecer assim que acordo for ratificado

Durante uma conversa por telefone nesta quarta-feira, Tusk e Varadkar "indicaram que o Reino Unido poderá partir antes de 31 de janeiro de 2020, se o acordo de retirada for ratificado antes dessa data", anunciou o governo irlandês. "O adiamento permitirá que o Reino Unido esclareça sua posição e o Parlamento europeu [que ratificará o acordo do Brexit depois que o Parlamento britânico o fizer] desempenhará seu papel", disse o presidente da instituição, David Sassoli.

A decisão de prorrogar o prazo deve ser unânime e deverá ser confirmada durante uma nova cúpula dos 27 líderes do bloco, marcada para 28 de outubro.

Mas as diferenças sobre as modalidades deste adiamento do Brexit começam a aparecer. A França propõe, segundo sua secretária de Estado para os Assuntos Europeus, Amélie de Montchalin, um "adiamento técnico", mas de apenas "alguns dias".

A Alemanha não se oporá a proposta do Presidente do Conselho Europeu, garantiu a porta-voz da chanceler Angela Merkel. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, já havia defendido o adiamento por duas ou três semanas, se isso permitisse que deputados britânicos ­- que na terça-feira (22) apoiaram o acordo assinado quatro dias antes por Johnson - ratificassem a lei. "Se é para adiar o Brexit até o final de janeiro, precisamos saber o motivo, o que acontecerá nesse meio tempo e se haverá eleições no Reino Unido", disse Maas em declarações à televisão alemã RTL.

Incertezas

Os planos do premiê britânico Boris Johnson geram muitas incertezas. Ele afirma sua determinação em deixar o bloco em 31 de outubro, como previsto, mas não obteve o apoio do parlamento para um processo acelerado de ratificação. Após mais uma sessão parlamentar caótica na terça-feira, Johnson indiciou que suspendia o processo legislativo enquanto aguardava a decisão da UE sobre o adiamento, apesar de continuar fazendo afirmações contraditórias.

No poder há menos de três meses, o premiê conservador também tenta convocar eleições legislativas antecipadas. Em setembro, ele perdeu a maioria no Parlamento britânico e espera reconquistar nas urnas a confiança do eleitorado. Mas a oposição conseguiu até agora impedir a nova votação.

O Brexit, decidido no referendo de 2016 por 52% dos votos, estava inicialmente previsto para acontecer em março de 2019. Um terceiro adiamento poderia abrir caminho para novas eleições, mas irá mais uma vez estender um processo que parece interminável e já derrubou a ex-primeira-ministra Theresa May.

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