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Brexit/UE

Brexit: Boris Johnson pede eleições antecipadas no Reino Unido

O premiê Boris Johnson finge controlar a situação ao pedir eleições antecipadas.
O premiê Boris Johnson finge controlar a situação ao pedir eleições antecipadas. REUTERS/Hannah McKay

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson pediu na quinta-feira (24) eleições antecipadas para o Parlamento britânico em 12 de dezembro para tentar tirar o Brexit do impasse, uma votação que ainda precisa do apoio da oposição trabalhista. Para especialistas, ele simula controle da situação e tenta fazer chantagem política com eurodeputados.

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Se o Parlamento "quiser mais tempo para estudar a lei sobre o acordo do Brexit concluído com Bruxelas", os deputados “devem aprovar as eleições legislativas de 12 de dezembro”, disse o premiê, em entrevista à imprensa local, uma semana após a data planejada para a saída do bloco.

Boris Johnson foi forçado a pedir um adiamento do Brexit por três meses para a União Europeia (UE). Os líderes europeus devem dar sua resposta nos próximos dias. No momento, os 27 não concordam com a duração do adiamento: alguns países como a Irlanda pedem 31 de janeiro, outros como a França querem um relatório mais curto, outros não têm posição.

O primeiro-ministro britânico está em um impasse. Ele queria deixar a União Europeia em 31 de outubro, o que não acontecerá, e espera que Bruxelas dê ao Reino Unido um adiamento do Brexit na sexta-feira (25), provavelmente até o final de janeiro.

Ao propor aos parlamentares que debatam seu acordo e sua lei do Brexit até 6 de novembro, seis dias a mais do que o esperado, apenas se concordarem com uma pesquisa antecipada, Boris Johnson está envolvido em chantagem política, segundo especialistas.

Acima de tudo, Johnson não tem o poder convocar uma eleição, lembra a correspondente da RFI em Londres, Muriel Delcroix. Cabe ao Parlamento decidir por votação e deve obter dois terços dos votos, enquanto o líder perdeu a maioria.

Ao tomar essa iniciativa altamente divulgada, Boris Johnson finge controlar a situação e recuperar o controle dos eurodeputados para tentar fazê-los esquecer que está prestes a trair sua promessa repetida de deixar a União Europeia em exatamente uma semana.

Adiamento possível

Os embaixadores dos 27 países membros do bloco devem se reunir novamente em Bruxelas na sexta-feira, e "o mais provável" é que recomendem aos chefes de Estado que aceitem um adiamento de três meses, segundo um diplomata europeu.

A pergunta poderia ser debatida no fim de semana pelos líderes e a resposta poderia chegar na segunda-feira (28), segundo esta fonte. A ideia é decidir por escrito, mas se as divergências persistirem, os europeus não descartam uma nova cúpula na próxima semana para decidir.

Segundo a futura presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a probabilidade de a União Europeia aceitar um adiamento adicional da data de saída do Reino Unido "parece muito boa".

O ministro britânico encarregado das Relações com o Parlamento, Jacob Rees-Mogg, declarou diante dos deputados que eles poderiam tomar uma decisão na segunda-feira sobre a realização de uma eleição antecipada.

Logo após o apelo de Boris Johnson, o Parlamento aprovou por 310 votos (294 contra) sua agenda política, conforme descrito no discurso da rainha Elizabeth II, em 14 de outubro.

O líder conservador, no entanto, perdeu a maioria absoluta ao longo das semanas, depois de excluir cerca de 20 deputados que votaram contra ele, e perdeu o apoio do pequeno Partido Unionista da Irlanda do Norte contra o seu acordo para o Brexit.

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