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Reino Unido

Mortos em caminhão perto de Londres eram vietnamitas com passaportes chineses falsificados

O caminhão que transportava os 39 imigrantes mortos passa por perícia no Reino Unido.
O caminhão que transportava os 39 imigrantes mortos passa por perícia no Reino Unido. REUTERS/Peter Nicholls

A maior parte dos 39 corpos encontrados esta semana em um caminhão frigorífico perto de Londres são provavelmente de cidadãos vietnamitas, e não de chineses, como apontou inicialmente a polícia britânica. Ao menos duas famílias do Vietnã temem que seus filhos estejam entre mortos, segundo seus testemunhos e a polícia.

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Duas famílias do centro do Vietnã expressaram o temor de que seus filhos estejam entre os mortos, portando passaportes chineses falsificados. A polícia britânica havia anunciado que as 39 vítimas – 31 homens e oito mulheres – eram chinesas, mas dúvidas surgiram durante as investigações do caso.

Nguyen Dinh Gia, pai de um jovem vietnamita de 20 anos, declarou neste sábado (26) à agência AFP que recebeu uma ligação, há alguns dias, anunciando que seu filho havia morrido tentando chegar ao Reino Unido. Um desconhecido que falava vietnamita disse a ele: "Imploro seu perdão, algo inesperado aconteceu". O homem relatou ter desmaiado ao ouvir a notícia. "Parece que meu filho estava naquele caminhão, todos morreram", acrescentou Nguyen. Ele relatou que seu filho havia lhe dito duas semanas atrás que viajaria para a Grã-Bretanha de Paris, onde vivia desde 2018.

O irmão de Pham Thi Tra, uma vietnamita de 26 anos, contou à AFP que a jovem enviou uma mensagem por telefone para sua mãe dizendo que não conseguia "respirar mais" e estava "prestes a morrer".

As duas famílias são de Ha Tinh, uma região pobre do país asiático de onde partem muitos migrantes em busca de melhores condições de vida. Geralmente, eles procuram entrar na Grã-Bretanha para trabalhar em bares ou em fazendas ilegais de cannabis, na esperança de ganhar dinheiro rapidamente. Muitos passam pela Rússia ou China, com documentos falsos, e essa empreitada pode custar o equivalente a 36.000 euros, uma fortuna no Vietnã, onde a renda média não excede 2.000 euros por ano, segundo o Banco Mundial.

A agência Reuters ouviu o padre católico Anthony Dang Huu Nam, da localidade de Yen Thanh, na província de Nghe An, no norte do Vietnã. Ele disse que estava em contato com famílias de algumas vítimas. "Todo o bairro está sofrendo", relatou o padre. "Estou coletando informações de contato para todas as famílias e vou fazer uma cerimônia para orar por eles na noite do sábado", acrescentou o religioso."É uma tragédia para a nossa comunidade", acrescentou. Nghe An é uma das províncias mais pobres do Vietnã.

A imprensa britânica revelou que uma associação de vietnamitas que vivem na Grã-Bretanha, a VietHome, recebeu fotos de cerca de vinte vietnamitas desaparecidos desde a descoberta do caminhão, na quarta-feira (23). Essas pessoas procuradas por familiares têm idades de 15 a 45 anos.

Embaixada do Vietnã trabalha para acelerar identificação

Em um comunicado neste sábado, o ministério das Relações Exteriores do Vietnã afirmou que sua embaixada em Londres trabalha para "acelerar o processo de identificação de vítimas".

Os 39 corpos foram encontrados em uma área industrial de Grays, a 30 km de Londres. O contêiner que transportava os migrantes chegou de ferry no porto de Purfleet, no estuário do Tâmisa, vindo de Zeebrugge, na Bélgica, uma hora antes da polícia entrar em cena, alertada pelos serviços de emergência.

O motorista do caminhão, de 25 anos e da Irlanda do Norte, foi preso no local suspeito de assassinato. Segundo a imprensa britânica, trata-se de Mo Robinson, morador de Portadown, no condado de Armagh.

A polícia de Essex anunciou na sexta-feira (25) três novas prisões nesta investigação: um norte-irlandês de 48 anos, detido no aeroporto de Stansted por tráfico de seres humanos e homicídios, e um casal de moradores da cidade de Warrington, no norte da Inglaterra. O homem e a mulher de 38 anos são suspeitos de serem os proprietários do caminhão registrado na Bulgária. Mas em contato com repórteres britânicos antes de serem presos, eles disseram não ter relação com o caso.

Os investigadores começaram as necrópsias na sexta-feira para determinar as causas exatas das mortes para então iniciar a identificação dos corpos.

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