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A Semana na Imprensa

Le Point elege dinamarquesa "inimiga de Trump" como personalidade do ano na Europa

Áudio 03:21
A personalidade do ano de 2019 da revista Le Point é a comissária europeia da Concorrência e da Inovação Digital, a dinamarquesa Margrethe Vestager.
A personalidade do ano de 2019 da revista Le Point é a comissária europeia da Concorrência e da Inovação Digital, a dinamarquesa Margrethe Vestager. DR

Com o fim do ano chegando, a imprensa francesa começa a eleger as personalidades do ano de 2019. Para a revista Le Point, a eleita é a dinamarquesa Margrethe Vestager, 51 anos, futura vice-presidente executiva da Comissão Europeia, titular da estratégica pasta da Concorrência e Inovação Digital.

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Ex-ministra da Economia da Dinamarca, Margrethe Vestager já pilota essa área na União Europeia há cinco anos. Ela é considerada uma "combatente" que defende como poucos os valores europeus: o respeito às regras do Direito e da privacidade, o modelo econômico social de mercado que protege os cidadãos do bloco do capitalismo selvagem e a capacidade de inovação das empresas e talentos do continente.

Além de especialista em concorrência, Margrethe Vestager não tem medo de defender princípios, a ponto de Donald Trump apontá-la como sua inimiga pessoal. Ela se tornou popular depois de impor multas bilionárias – um total de € 21,5 bilhões – às gigantes americanas da tecnologia Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft – o grupo Gafam.

Os motivos das multas são variados: reembolso de vantagens fiscais indevidas, fornecimento de informações incorretas às autoridades europeias, uso de esquemas de otimização fiscal para driblar o pagamento de impostos aos cofres públicos, entre outras artimanhas. Apenas a Apple recebeu uma sanção de € 13 bilhões por impostos não recolhidos na Irlanda. A empresa contesta a punição na Justiça.

Em entrevista à Le Point, a poderosa comissária europeia persiste e assina: "Se essas companhias americanas fizerem algo de ilegal, não haveria outra solução a não ser desmantelá-las e nós temos o poder de fazer isso". Destaca, em seguida, que a União Europeia ainda não chegou a este ponto, e prefere apostar em projetos originais para enfrentar a concorrência dos Estados Unidos e da China.

Visão original

Dentro do bloco, Margrethe Vestager não se intimidou diante da pressão de França e Alemanha, que tinham um projeto de fusão das companhias Siemens e Alstom vetado pela comissária. Ela peitou o presidente Emmanuel Macron e a chanceler Angela Merkel e rejeitou a fusão das duas empresas, por considerar que a operação era nociva à concorrência e provocaria um aumento de preços nas passagens de trem prejudicial aos consumidores europeus.

Nesse início de era dominado pela inteligência artificial, Margrethe Vestager desmonstrou ter competência para aplicar ao universo das novas tecnologias uma abordagem conceitual do liberalismo nórdico, diz o escritor e filósofo Gaspard Koenig, autor do livro "O fim do indivíduo". O filósofo francês, defensor do liberalismo, acredita que a nova vice-presidente da Comissão Europeia saberá criar regulações fiéis ao espírito de liberdade dos europeus, sem renunciar ao desenvolvimento da tecnologia.

"Ela compreende muito bem essa espécie de feudalismo imposto pelas plataformas digitais, que, em troca da oferta de 'serviços gratuitos', se apropriam dos dados pessoais dos consumidores para manipular comportamentos por interesse político e comercial. Vestager representa uma esperança para os europeus em oferecer soluções de mercado que garantam as liberdades fundamentais dos cidadãos. Esta é uma questão de sobrevivência econômica e moral para o bloco", nota o filósofo.

Formada em Economia, Vestager nasceu em uma família de pastores luteranos. Ela é casada com um matemático e tem três filhos. Discreta sobre sua vida privada, a "tax lady" do continente europeu tem um hobby conhecido: o tricô.

Vestager faz parte da mesma corrente política de Macron no Parlamento Europeu, o grupo Renew, Renovação em português. "Vestager, a discreta, e Macron, o ousado, são politicamente muito próximos", diz o editorialista da Le Point Etienne Gernelle. A diferença entre eles não se restringe, porém, ao estilo. A União Europeia carrega um problema de concepção: deve agir como uma potência unida ou ser uma união tranquila? Para o editorialista, o futuro da Europa passa por uma aproximação dessas duas visões que coexistem entre os prós-europeus.

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