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Linha Direta

Johnson e Corbyn devem partir para ataques pessoais em primeiro debate eleitoral na TV

Áudio 04:37
O primeiro debate da campanha eleitoral britânica será um duelo entre o trabalhista Jeremy Corbyn (à esquerda) e o premiê Boris Johnson.
O primeiro debate da campanha eleitoral britânica será um duelo entre o trabalhista Jeremy Corbyn (à esquerda) e o premiê Boris Johnson. Ben STANSALL / AFP

A pouco mais de três semanas das eleições gerais no Reino Unido, marcadas para 12 de dezembro, os dois principais candidatos participam nesta terça-feira (19) do primeiro debate na TV. Boris Johnson, atual primeiro-ministro e líder do Partido Conservador, e Jeremy Corbyn, chefe dos Trabalhistas, principal legenda de oposição, terão a chance de se enfrentar sem os adversários das outras siglas. Eles devem tentar usar ataques diretos, em questões mais pessoais, para aumentar a popularidade no eleitorado.

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As eleições foram convocadas depois que o primeiro-ministro e o Parlamento se viram em um impasse diante do Brexit. Então é natural que o assunto domine a discussão desta noite. Boris Johnson deve insistir em seu lema de “Fazer o Brexit acontecer”. Já Jeremy Corbyn, que tem sido criticado por estar sempre em cima do muro em relação ao Brexit, deve tentar apostar nos outros temas que também afligem o eleitorado britânico.

Além do Brexit, um dos assuntos que domina as redes sociais e o noticiário é o futuro do NHS, o sistema público de saúde, semelhante ao SUS brasileiro. A crise no sistema é profunda, com falta de leitos e médicos, e longas filas de espera para cirurgias e tratamentos, principalmente nas regiões mais pobres do país. Na segunda-feira (18), Johnson anunciou que vai adiar seus planos de aumentar a isenção fiscal para empresas e usar a verba gerada para financiar o NHS. Mas os trabalhistas acusam os conservadores de, a longo prazo, quererem privatizar o sistema, que hoje é totalmente gratuito. Outra questão que deve agitar o debate é a economia, depois de uma década de austeridade. Temas como educação, meio ambiente, segurança e imigração também estão na pauta.

Desgaste

Nem Johnson nem Corbyn são populares no eleitorado. Por isso, os dois devem tentar usar ataques diretos em questões mais pessoais para conseguir derrotar o rival. Johnson chega ao debate desgastado pelas sucessivas derrotas que sofreu no Parlamento desde que assumiu o poder, em julho passado. Isso sem falar em escândalos recentes envolvendo seu nome em questões de conflito de interesse quando ele era prefeito de Londres e em suposto crime eleitoral durante o referendo de 2016. Há também o fato de o primeiro-ministro ter decidido segurar a divulgação de um relatório dos serviços de inteligência sobre o possível envolvimento da Rússia na campanha a favor do Brexit, liderada por ele há três anos.

Corbyn, por sua vez, é rotulado pelos conservadores como um “comunista radical”, e enfrenta divisões dentro de seu próprio partido por sua recusa em defender o fim do Brexit e também por não ter conseguido reverter anos de declarações antissemitas feitas por alguns membros do partido.

Nas casas de apostas britânicas, Corbyn é visto como provável vencedor do debate. Para o jornal The Guardian, o verdadeiro vencedor será aquele que falar menos frases estúpidas que acabem virando memes e viralizem nas redes sociais de maneira negativa.

É importante lembrar que o Reino Unido vive um regime de Parlamentarismo, portanto o primeiro-ministro será o líder do partido que obtiver mais cadeiras no Parlamento. As últimas pesquisas apontam que os conservadores têm hoje uma média de 40% das intenções de voto, enquanto os trabalhistas têm 29% e os liberais-democratas, defensores da permanência do país na União Europeia, têm 15%. Para se ter uma ideia do que isso significa: em 2017, sob a liderança de Theresa May, os conservadores obtiveram 42% dos votos e tiveram que fazer uma aliança com um pequeno partido da Irlanda do Norte para conseguir a maioria parlamentar.

A votação de dezembro é vista como definitiva para o futuro do país. Os dois líderes já estão habituados a debater frente a frente diante das câmeras, porque fazem isso toda quarta-feira como parte da rotina do Parlamento. Mas desta vez, é o futuro do Reino Unido na União Europeia que está em jogo.

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