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Amazon/Emprego

Por que os franceses se revoltam contra a Amazon, a empresa mais valiosa do mundo

Centro de distribuição da Amazon em Boves, na França, em 5 de novembro de 2019.
Centro de distribuição da Amazon em Boves, na França, em 5 de novembro de 2019. REUTERS/Pascal Rossignol/File Photo

A Amazon se tornou, em janeiro deste ano, a empresa mais valiosa do mundo. Após crescer 3,4%, ela ultrapassou a Microsoft e alcançou um valor de mercado de US$ 797 bilhões (cerca de R$ 2,9 trilhões). Foi a primeira vez que a gigante norte-americana do e-commerce ficou no topo do ranking. Mas números do governo francês mostraram neste sábado (23) que “para cada emprego criado pela Amazon no país, 2,2 postos de trabalho são suprimidos”. Os franceses começam a ficar furiosos, e parece que com razão.

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Segundo os dados apresentados, a gigante norte-americana Amazon teria destruído cerca de 7.900 empregos na França em 2018, de acordo com uma nota publicada pelo ex-secretário de Estado da área digital do governo de Emmanuel Macron, Mounir Mahjoubi.

Em uma nota de análise publicada na sexta-feira (22), e amplamente publicada na imprensa francesa, Mahjoubi, ex-secretário de Estado para o Digital e deputado do partido de Macron, A República em Marcha (LREM) de Paris, estima que 7.900 empregos foram destruídos na França em 2018 pela Amazon.

Apenas em 2019, a empresa de Jeff Bezos, o homem mais risco do mundo, realizou um volume de negócios na França de € 6,6 bilhões, segundo a Kantar Worldpanel, citada neste estudo. Segundo o índice de bilionários da agência Bloomberg, Bezos contaria hoje com um capital estimado em US$ 137 bilhões, cerca de R$ 500 bilhões.

É "deduzindo contratações da Amazon e de vendedores externos (12.337 empregos criados) dos cortes de empregos no comércio analógico, por causa das atividades gigante do e-commerce (20.239 empregos perdidos)", que Mounir Mahjoubi chegou neste número de 7.900 empregos perdidos na França.

Uma fórmula resume essa descoberta: "para um emprego criado na Amazon", a empresa local francesa perdeu 2,2 empregos. Um estudo norte-americano realizado em novembro de 2016 pelo Instituto de Autossuficiência Local resultou na proporção de "dois empregos perdidos nos Estados Unidos por um trabalho criado pela Amazon".

Consumir é um "ato cidadão e político"

Em seu estudo, Mounir Mahjoubi questiona a "alta produtividade" na Amazon, onde um único funcionário "possibilita um faturamento de cerca de € 600.000", contra "€ 270.000" para um funcionário de uma loja física.

A competitividade da Amazon se deve a "práticas gerenciais contenciosas", denuncia o ex-secretário de Macron. "Os homens e as mulheres dos centros de logística (da plataforma) estão trabalhando em ritmo acelerado e cronometrado", com "tarefas repetitivas e fisicamente exigentes". Essa lógica será levada a cabo até o fim pela Amazon, que considera seus funcionários "como robôs".

A empresa "os substituirá amanhã por máquinas autônomas", o que poderia aumentar ainda mais a produtividade da plataforma e resultar na destruição de mais empregos em lojas tradicionais, teme Mounir Mahjoubi.

As pequenas empresas não têm meios de resistir ao rolo compressor norte-americano e não podem aplicar os mesmos métodos: "automação avançada" e "uma forma de desumanização das relações comerciais", segundo este estudo de Mahjoubi.

O deputado aponta para as estratégias de otimização de impostos implementadas pela Amazon "que registra suas vendas francesas diretamente com sua subsidiária luxemburguesa".

"Consumir também é um ato cidadão e político", diz o ex-secretário de Estado do Digital, para quem "os usuários da Internet devem consumir conscientemente, suas compras pesam no emprego na França", diz ele.

Não é um apelo ao boicote

"Não é um apelo ao boicote, mas um apelo à diversidade econômica", diz ele. Para propor uma alternativa à Amazon e à lógica de lucro e de produtividade dos gigantes do e-commerce, o deputado de Paris criou "um diretório de empresas locais, controlando seu impacto social e ambiental com o qual os franceses podem fazer suas compras".

O parlamentar do LREM da capital insiste na necessidade de ter uma "responsabilidade coletiva sobre: para onde envio meu dinheiro?". Mahjoubi disse que não "apela ao boicote, mas à diversidade econômica". "Este ano são € 100 bilhões gastos on-line" anunciados para o feriado do natal.

"Eu digo ao consumidor: decida para onde eles vão, se eles vão parar numa gigante estrangeira de e-commerce, ou num produtor local perto de você”, concluiu.

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