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Brasil-Mundo

“Grande Sertão: Veredas” é editado pela primeira vez em Portugal

Mais de 60 anos depois de ser publicado no Brasil, uma das obras mais emblemáticas da literatura brasileira, “Grande Sertão: Veredas”, de João Guimarães Rosa, é editado em Portugal, pela primeira vez.
Mais de 60 anos depois de ser publicado no Brasil, uma das obras mais emblemáticas da literatura brasileira, “Grande Sertão: Veredas”, de João Guimarães Rosa, é editado em Portugal, pela primeira vez. L. Quaresma

Mais de 60 anos depois de ter sido publicada no Brasil, uma das obras mais emblemáticas da literatura brasileira, “Grande Sertão: Veredas”, de João Guimarães Rosa, é editada em Portugal, pela primeira vez. O lançamento, em Lisboa, esta semana, contou com a presença de Silviano Santiago, ensaísta, poeta, professor e romancista brasileiro que veio à Portugal especialmente para a ocasião.

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Por Luciana Quaresma, correspondente da RFI em Lisboa

“É um presente para os portugueses, sem dúvida nenhuma, que podem ter acesso a uma obra que tem uma dimensão extraordinária! Uma obra que a gente tenta domesticar, torná-la um pouco mais terra à terra, uma obra que tem de ser lida não com os parâmetros da história, da sociologia e sim como uma grande alegoria”, explica o ensaísta.

Segundo Silviano, a obra-prima de João Guimarães Rosa, publicada no Brasil em 1956, continua muito atual. “Nós passamos de novo por uma fase em que parece que tudo pode em favor do progresso. É claro que somos a favor do progresso mas é preciso que este progresso seja acompanhado de um sentimento muito profundo de igualdade. Como em ‘Grande Sertão: Veredas’, onde a selvageria convive com o esplendor de Brasília. Um tema muito atual.”

Livro é comparado à obras como 'Dom Quixote', 'Fausto' e  'Os Lusíadas'

Definido pelo próprio Guimarães Rosa como “autobiografia irracional”, “Grande Sertão: Veredas” é considerado um dos livros mais importantes da língua portuguesa, comparado, na ambição e na grandiosidade, a obras como Dom Quixote, Fausto e Os Lusíadas.

“Esta obra é uma bofetada na sociedade. Ela traz o conceito de alegria, que era importantíssimo para Guimarães Rosa. Esta coisa que te traz ânimo, esperança, vontade de viver e isso que eu acho importante”, explica.

Para Igor Trabuco, do Setor Cultural da Embaixada do Brasil, em Lisboa, apoiar o lançamento da obra-prima de João Gumarães Rosa em Portugal é mais uma forma de aproximar os dois países por meio de um dos mais importantes escritores da literatura brasileira de todos os tempos.  

“’Grande Sertão: Veredas’ é uma obra incontornável na literatiura brasileira e, para nós, faz ainda mais sentido porque Guimarães Rosa foi Embaixador do Brasil. É claro que ele é maior do que qualquer instituição, mas o fato de ele ter sido diplomata fez muito sentido para que atuássemos na divulgação deste livro, que é tão incontornável”, afirma. É, sem dúvida, o grande presente que a Companhia das Letras para o público português. Depois de 63 anos, editado pela primeira vez em Portugal”, afirmou.

Um dos mais importantes romances experimentais modernistas

Publicado originalmente em 1956, o romance “Grande sertão: veredas” revolucionou a literatura brasileira e continua a despertar o interesse das novas gerações de leitores. Estava esgotado em Portugal há vários anos.

O livro conta a história do jagunço Riobaldo, narrador- protagonista, e usa como cenário o sertão brasileiro e os trilhos do gado, recorrendo à estilização das falas sertanejas, uma característica recorrente na obra de Guimarães Rosa, mas que neste romance atinge o seu auge.    

O escritor reinventa a língua e eleva o sertão ao contexto da literatura universal, uma lição de luta e valorização do homem, descreve a sinopse da edição publicada em 2006.

"Grande Sertão: Veredas" foi inicialmente pensado como uma das novelas do livro "Corpo de Baile", lançado também em 1956, mas cresceu e ganhou autonomia, tendo-se tornado um dos mais importantes livros da literatura brasileira e lusófona.

João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, em  Minas Gerais, em 1908.  Médico, diplomata, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras,  os seus contos e romances ambientam-se quase todos no chamado sertão brasileiro. Ele morreu em 1967, no Rio de Janeiro.

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