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Alemanha

Centenas de tratores invadem Berlim em protesto contra política ambiental de Merkel

Tratores bloquearam arredores do Portão de Brandemburgo, em Berlim, nesta terça-feira (26).
Tratores bloquearam arredores do Portão de Brandemburgo, em Berlim, nesta terça-feira (26). REUTERS/Annegret Hilse

Milhares de agricultores alemães - muitos deles vindos do interior do país - bloquearam nesta terça-feira (26) as ruas de Berlim, em um imenso protesto que chegou ao Portão de Brandemburgo. A mobilização ocorre dois meses após o anúncio do governo sobre um plano destinado a diminuir a utilização de pesticidas nas plantações.

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"Sem agricultores, sem futuro", "agricultores arruinados, alimentos importados", diziam alguns dos cartazes exibidos no desfile de tratores em Berlim, nesta terça-feira. A categoria teme que as novas leis ambientais possam aumentar ainda mais as dificuldades econômicas, em um contexto de forte concorrência internacional.

Essa é a terceira mobilização desta magnitude organizada pelo setor nas últimas semanas. Os manifestantes exigem uma reformulação urgente das medidas anunciadas no início de setembro.

"Os agricultores alemães precisam de proteção e de perspectivas para o futuro, mais do que regulações excessivas e proibições", argumenta a Organização dos Agricultores Alemães, principal sindicato agrícola do país.

Agricultores x ambientalistas

Fruto de um compromisso entre os Ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura, o plano prevê uma proibição do uso do glifosato até 2023. Também estabelece o fim, até 2021, da utilização de pesticidas "que tenham um impacto sobre insetos em zonas vulneráveis do ponto de vista ecológico", além de restrições sobre fertilizantes minerais. A preocupação não ocorre à toa: segundo um estudo publicado em 2017, baseado com experimentos realizados na Alemanha, a Europa perdeu cerca de 80% de seus insetos nos últimos 30 anos, resultando na morte de mais de 400 milhões de pássaros.

"Vários pesticidas e práticas que são proibidos aqui continuam sendo autorizados na União Europeia ou no resto do mundo. Ora, estamos em concorrência com os produtos vindos de outros países", reclama o agricultor Norbert Prkle. "Tenho cada vez menos esperança em nosso futuro", completa René Wessler, manifestante de 24 anos.

Há vários meses, a categoria também reclama da falta de consideração da opinião pública, cada vez mais sensibilizada às questões ambientais. Mesmo vaiada, a ministra alemã da Agricultura, Julia Klöckner, defendeu sua política diante dos manifestantes nesta terça-feira, fazendo um apelo para que o diálogo entre o setor e a sociedade seja restabelecido.

"As pessoas que vivem em zonas urbanas não nos entendem mais, porque não têm nenhum contato conosco", lamenta Hubert Oing, agricultor da região da Baixa Saxônia, noroeste do país.

O conflito é ilustrado por uma petição recente para salvar as abelhas, que recolheu 1,8 milhão de assinaturas na Baviera, no sudeste da Alemanha. A mobilização pressionou o governo regional a se engajar na questão, apesar da oposição das organizações agrícolas locais.

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