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Otan/Cúpula

Aniversário de 70 anos da Otan é ofuscado por divisões e irritação de Trump

O secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg, na coletiva à imprensa no final da Cúpula da Otan.
O secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg, na coletiva à imprensa no final da Cúpula da Otan. REUTERS/Yves Herman

Os dirigentes dos 29 países integrantes da Aliança Atlântica fizeram nesta quarta-feira (4) um balanço dos 70 anos da Otan. Apesar das fortes divisões reveladas nos últimos meses, eles conseguiram adotar uma declaração no final dos dois dias da cúpula em Watford, nos arredores de Londres. Irritado com as declarações de brincadeira do primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, o presidente americano Donald Trump cancelou sua coletiva à imprensa prevista para o final do encontro.

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A declaração final tentou esconder as desavenças. “A solidariedade, a unidade e a coesão são os princípios fundamentais da nossa Aliança, que é a mais bem-sucedida da história”, afirma o texto final. "Nosso vínculo e compromisso mútuo garantiram nossas liberdades, valores e segurança durante 70 anos. Atuamos hoje para garantir que a Otan [assegure isso] para as futuras gerações", diz ainda a declaração final que também revela os desafios atuais, três décadas após o fim da Guerra Fria.

A Otan, criada depois da Segunda Guerra Mundial para proteger a América do Norte e a Europa da União Soviética, identifica como ameaças “as ações agressivas” da Rússia, o “terrorismo sob todas as formas”, os “ciberataques” e a China. Citando por exemplo a importância da 5G, a organização reconhece pela primeira vez que a potência chinesa representa um desafio.

Gasto militar

Os líderes da Otan reafirmam a importância da aplicação do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e o caráter unicamente “defensivo” da Aliança que não constitui uma ameaça para nenhum país”.

Os aliados reiteram sua promessa de destinar para 2024 2% do PIB nacional para gasto militar, uma tradicional exigência dos Estados Unidos. O pedido ganhou força com a chegada de Donald Trump à Casa Branca em 2017 e era motivo de disputas entre os parceiros da Otan. A declaração ressalta que os gastos em defesa dos Estados Unidos, a principal potência militar, "não aumentaram" durante cinco anos consecutivos e que, consequentemente, os outros países aumentaram seus investimentos no setor.

Tensões

A cúpula foi marcada por tensões entre Estados Unidos, França e Turquia. O presidente francês Emmanuel Macron reiterou sua declaração de que a Otan está em “estado de morte cerebral", irritando seus parceiros. Ele denunciou ainda as decisões unilaterais dos Estados Unidos e da Turquia na Síria, que colocaram em perigo as operações internacionais contra a organização Estado Islâmico no país.

As imagens flagradas por câmeras de televisão mostrando o presidente francês e os premiês do Reino Unido, do Canadá e da Holanda, conversando e Justin Trudeau supostamente rindo de Trump, aumentaram o clima de desconforto na cúpula. O presidente americano chamou o premiê canadense de “hipócrita” e decidiu cancelar sua coletiva de imprensa prevista ao final da cúpula do 70º aniversário da Otan.

Em 2018, durante o G7 organizado no Canadá, Trump e Trudeau já haviam trocado farpas que levaram o presidente americano a retirar seu apoio ao comunicado final do encontro.

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