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Diplomacia

Putin e Zelensky se encontram em Paris para discutir guerra civil no leste da Ucrânia

Em 2018, os representantes da Rússia e da Ucrânia se reuniram com mediação da presidência francesa.
Em 2018, os representantes da Rússia e da Ucrânia se reuniram com mediação da presidência francesa. TOBIAS SCHWARZ / AFP

Os jornais franceses desta segunda-feira (9) destacam o primeiro encontro previsto hoje entre os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que serão recebidos no Palácio do Eliseu, em Paris, pelo chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel.

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O objetivo da reunião, na sede da presidência francesa, é retomar as negociações de paz bloqueadas há três anos entre Moscou e Kiev, e encontrar uma solução à guerra civil na região do Donbass, no leste da Ucrânia. O conflito foi iniciado por separatistas pró-russos, apoiados por Moscou, e levou à anexação da península da Crimeia (sul) pelo Kremlin, em 2014.

A guerra no leste da Ucrânia, sob forte influência da Rússia, deixou 13.300 mortos em cinco anos. Acabar com ela é a prioridade número 1 para 70% dos ucranianos. A questão é saber se o atual presidente ucraniano reúne as condições para impor a paz no Donbass.

Segundo o jornal Le Figaro, é muito difícil dimensionar o que desejam os habitantes da região, que vivem num ambiente repressivo, fechado, onde a Rússia tem o monopólio da informação. Mas Zelenski, um humorista que chegou ao poder com 73% dos votos, foi eleito pelos ucranianos em parte por sua disposição de retomar as negociações com Moscou.

Margem de manobra estreita

A margem de manobra de Zelenski é pequena, já que ele não deve capitular diante de Putin cedendo a região do Donbass à Rússia. Mas o que ele pode propor como solução ao conflito armado não está claro. Nem todos os ucranianos aceitariam uma administração autônoma na região. Enquanto o horizonte permanece nebuloso, Zelenski teve a boa ideia de levar investimentos às cidades afetadas pelo conflito armado.

O fato é que o presidente ucraniano é jovem, tem um estilo completamente diferente de seu antecessor, Petro Porochenko, e é apreciado na Rússia, diz um analista ouvido pelo Figaro. Mas um sucesso na resolução do conflito poderia soar como uma ameaça a Moscou, observa o mesmo analista.

O jornal católico La Croix diz que Zelenski já deixou claro que não pretende lançar uma guerra de reconquista, mas quer recuperar o controle da fronteira leste com a vizinha Rússia. Putin afirma querer o bem dos habitantes do Donbass, mas o que ele deseja no fundo é impedir o desenvolvimento dessa região da Ucrânia, um país que sonha em integrar a União Europeia.

La Croix ressalta que o presidente francês se empenha na mediação desse conflito, mas ao defender uma nova arquitetura de defesa na Europa, Macron enfrenta a fratura no Donbass. A Rússia teria de renunciar à sua política expansionista agressiva e demonstrar interesse na paz, o que não é batalha ganha com Putin.

De acordo com Les Echos, desde a eleição de Zelenski o clima mudou. Paris não espera dessa reunião um novo acordo amplo, apenas uma lista de compromissos e de meios para obter um cessar-fogo duradouro. Ao final do encontro, os participantes devem detalhar as etapas seguintes do processo: a retirada dos militares da área, troca de prisioneiros e abertura de pontos de passagem. Para que a Ucrânia consiga restabelecer o controle sobre sua fronteira leste, a Rússia deve aceitar discutir um novo estatuto para a região do Donbass, em vista de futuras eleições. Um cenário complexo, conclui o Les Echos.

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