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Linha Direta

Barcelona lança medidas radicais contra crise climática, com redução de carros, voos e consumo de carne

Áudio 04:31
Espaço verde em Sant Antoni, Barcelona. A proposta de Ada Colau é de aumentar as praças e áreas verdes, sobretudo perto de escolas.
Espaço verde em Sant Antoni, Barcelona. A proposta de Ada Colau é de aumentar as praças e áreas verdes, sobretudo perto de escolas. Ajuntament de Barcelona

A prefeita de Barcelona Ada Colau apresenta nesta quarta-feira (15) a declaração de “urgência climática”: um documento que propõe mais de cem medidas para reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa, entre elas proibir a circulação de automóveis poluentes no centro da cidade, a eliminação de voos de curta distância que possam ser substituídos pelo trem e a diminuição de escalas de navios no porto.

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Por Fina Iñiguez, correspondente da RFI em Barcelona

Uma parte do plano já está sendo aplicado desde o dia primeiro de janeiro deste ano e proíbe a circulação de veículos sem o selo ambiental. Os carros mais poluentes não podem circular numa área de 95 km2, incluindo o centro de Barcelona e alguns municípios vizinhos.

O objetivo dessa medida é melhorar a qualidade de vida e a saúde dos barcelonenses: de acordo com dados da prefeitura, a mobilidade é responsável por 40% dos gases de efeito estufa que são emitidos na cidade e, de acordo com a Agencia de Saúde Pública de Barcelona (ASPB), em Barcelona morrem 350 pessoas ao ano como consequência da má qualidade do ar.

Ponte-aérea com Madri na mira

Outra das propostas da prefeita é trabalhar com as administrações competentes para eliminar os voos em distâncias inferiores a 1.000 quilômetros que tenham o trem como alternativa e diminuir a escala de cruzeiros no porto.

Ada Colau propõe acabar com a ponte aérea Barcelona-Madri para evitar as emissões causadas por esses voos que são utilizados por aproximadamente 2,5 milhões de pessoas ao ano.

A prefeita propõe também diminuir o número de cruzeiros que faz escala em Barcelona devido ao impacto que isso causa na cidade: mais de 800 cruzeiros e aproximadamente 3 milhões de passageiros ao ano, numa cidade que não chega aos 2 milhões de habitantes.

Para evitar as emissões de navios estacionados no porto, outra das medidas é reduzir as terminais de embarcações e promover a eletrificação das docas, seguindo o exemplo de portos como Long Beach, em Los Angeles, Estados Unidos.

De acordo com estudos recentes, a atividade vinculada ao aeroporto e ao porto de Barcelona gera um total de 12,9 toneladas de CO2 ao ano e a cidade como um todo é responsável por 3,4 milhões de toneladas de CO2 ao ano.

Diminuir o consumo de carne

A declaração de “urgência climática” apresentada nesta quarta-feira também destaca a necessidade de mudanças na alimentação, sugerindo diminuir o consumo de carne, principalmente pelo custo ecológico de sua produção, e inclui objetivos como eliminar os plásticos descartáveis que poluem os oceanos, construir praças e espaços verdes, principalmente proximos às escolas, fechar o trânsito em ruas importantes da cidade nos fins de semana dando espaço para o lazer e acabar com o uso do diesel.

O projeto da prefeitura é ambicioso e pretende conseguir uma transformação global de Barcelona até o ano 2030. Desde que assumiu o cargo, Ada Colau vem trabalhando nesse sentido: em 2017 criou o projeto “superilhas” (ou “superquadras”) com o objetivo de reduzir o uso dos automóveis nos bairros e devolver o espaço público para os cidadãos.

A declaração de “urgência climática” responde às reivindicações dos cidadãos que vêm sendo trabalhadas desde julho do ano passado e contou com a participação de 200 entidades civis representadas por 300 pessoas.

Perfil de Ada Colau

Nascida em Barcelona em 1974, Ada Colau foi a primeira mulher a assumir a prefeitura da cidade em 2015 e está em seu segundo mandato. Antes de se converter em prefeita de Barcelona, foi ativista social e uma das fundadoras em 2009 da Plataforma dos Afetados pela Hipoteca (PAH) contra os despejos.

Em 2003, Colau esteve ligada ao movimento antiglobalização e fez parte também do movimento “Acabemos com a guerra” contra a segunda guerra no Iraque.

Em reconhecimento à sua liderança nos últimos anos em questões como o direito à moradia, luta contra as desigualdades sociais e defesa dos direitos humanos, em novembro do ano passado a prefeita de Barcelona foi nomeada enviada especial para representar as cidades do mundo nas Nações Unidas durante o congresso de Cidades e Governos Locais Unidos (CGLU), um cargo que ela deverá exercer durante três anos.

 

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