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Um pulo em Paris

Estudo sobre queda de natalidade na França desmente preconceito contra imigrantes

Áudio 07:01
A idade da primeira gestação recuou para 30,7 anos na França.
A idade da primeira gestação recuou para 30,7 anos na França. ©stevanovicigor/iStock

Em 2019, a França registrou pelo quinto ano consecutivo uma queda na taxa de natalidade. O relatório demográfico divulgado nesta semana pelo Instituto Nacional de Estudos e Estatísticas (Insee), equivalente ao IBGE no Brasil, aponta que 753.000 bebês nasceram no território francês no ano passado, 6.000 a menos do que em 2018. O levantamento confirma tendências de transformação da sociedade.

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A taxa de fecundidade das francesas caiu para 1,87 filhos por mulher, um patamar abaixo dos 2,1 considerados necessários para a renovação das gerações. Em pleno debate sobre o projeto de reforma da Previdência, e como financiar as pensões no futuro, o dado é preocupante. O único indício positivo é que, após quatro anos de queda significativa, o indicador de fecundidade das francesas dá sinais de estabilização. A França continua sendo o segundo país mais populoso da Europa, com 67 milhões de habitantes, atrás da Alemanha, com 82 milhões.

Atualmente, as francesas estão tendo filhos quatro anos mais tarde que suas mães, porque privilegiam a carreira e o conforto. Só querem ter filhos com uma vida profissional bem encaminhada. Por isso, em 2019, a idade média da primeira gestação foi aos 30,7 anos, contra 29,3 no ano anterior. Quem começa cedo, aos 20 anos, tem menos filhos, segundo o Insee.

Em relação à imigração, tão criticada pelos xenófobos, o relatório do Insee joga luz sobre algumas ideias pré-concebidas. Muita gente associa o elevado número de filhos das mulheres imigrantes a uma vontade expressa de não trabalhar e viver apenas dos benefícios sociais. Porém, o estudo do Insee afirma que, mesmo tendo mais filhos, a contribuição das imigrantes para a renovação da população francesa continua marginal. Em 2018, o número de imigrantes no país era de 6,5 milhões de pessoas, ou seja, apenas 9,7% da população total.

Um quarto das famílias francesas é chefiada por mulheres

A estrutura familiar tradicional, formada por pai e mãe que educam os filhos juntos, não é mais dominante no país. Em 2011, a metade das famílias francesas correspondia a esse modelo, e hoje recuou para 45%. Por outro lado, o número de famílias formadas por mães solteiras já chega a 24%; é quase um quarto do total. Para essas mulheres, a dificuldade de equilibrar vida profissional e familiar é um desafio.

Diferententemente do Brasil, na Europa as famílias contam com benefícios sociais que ajudam na criação dos filhos. Mas este fator perdeu força da decisão a favor da maternidade entre as francesas. Especialistas acreditam que os cortes feitos nos últimos anos nos programas de política familiar, desde o governo socialista do ex-presidente François Hollande, tiveram impacto, sim, na queda da taxa de natalidade. Toda a política de incentivo às famílias com mais de três filhos está sendo revista. Segundo uma pesquisa do Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop), 78% dos franceses acreditam que as autoridades vão reduzir ainda mais o teto da renda familiar que dá acesso aos benefícios sociais.

Essa queda da natalidade começou a preocupar os analistas em Previdência. Embora a França tenha uma dinâmica demográfica mais favorável que alguns vizinhos europeus, vai faltar trabalhador ativo no futuro para sustentar os aposentados.

Nova manifestação contra reprodução assistida para lésbicas

No domingo (19), estão programadas duas grandes manifestações em Paris contra a lei de bioética que vai autorizar casais de lésbicas e mulheres solteiras a se beneficiarem da reprodução assistida pelo sistema público de saúde. Os católicos ultraconservadores organizam um protesto "contra as famílias sem homens" e essa proteção que o Estado quer dar às lésbicas e mulheres solteiras.

Um segundo protesto contra a lei de bioética, em tramitação no Senado, será organizado pelo deputado europeu José Bové, filósofos, biólogos e intelectuais de esquerda. O grupo é contrário a dois artigos da nova lei de bioética que vão autorizar a manipulação genética de embriões e quiméricos, a mistura de genes humanos com genes de animais. Eles condenam a autorização concedida pelo texto à produção de gametas artificiais a partir de células-tronco, mesmo para fins de pesquisa científica.

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