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Venezuela/Davos

Guaidó pede ajuda para derrubar "ditadura de Maduro" a líderes reunidos em Davos

Em Davos, o opositor Juan Guaidó pediu a ajuda da elite política e empresarial para obter eleições livres na Venezuela.
Em Davos, o opositor Juan Guaidó pediu a ajuda da elite política e empresarial para obter eleições livres na Venezuela. FABRICE COFFRINI / AFP

Quase um ano depois de ter sido reconhecido por cerca de 50 países como presidente legítimo da Venezuela, o opositor Juan Guaidó pediu, nesta quinta-feira (23), aos líderes mundiais reunidos em Davos ajuda contra a "ditadura" de Nicolás Maduro.

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"Hoje – e por isso estamos aqui –, não podemos sozinhos. Enfrentamos um conglomerado internacional, criminoso e precisamos de ajuda", afirmou Guaidó, em um discurso na sala de conferências do Fórum Econômico Mundial que acontece na estação de esqui suíça. A visita do opositor a Davos coincide com o primeiro aniversário de sua autoproclamação como presidente interino da Venezuela, realizada em 23 de janeiro de 2019, em Caracas.

"Europa, Grupo de Lima, Estados Unidos: estamos todos reunidos para conseguir uma eleição livre, real, transparente. Nos mobilizamos vez e outra e vamos continuar fazendo isso", afirmou. Ele denunciou que o país "está em mãos de um conglomerado criminoso", no qual atuam, segundo ele, o grupo guerrilheiro colombiano Exército de Liberação Nacional (ELN) e células do grupo xiita libanês Hezbollah.

Um ano depois da autoproclamação de Guaidó, sua ofensiva contra o governo Maduro parece paralisada, apesar do apoio internacional, que inclui os Estados Unidos, 25 países da União Europeia e vizinhos sul-americanos, como Brasil, Equador e Colômbia, entre outros.

Em seu discurso, Guaidó apresentou um panorama sombrio para a Venezuela, país que enfrenta, segundo ele, "uma tragédia sem precedentes". "A Venezuela não é um país em guerra. Não ouvimos as bombas, mas sentimos o pranto, a dor das mães", declarou.

Ontem, em Davos, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, reuniu-se com o presidente colombiano, Iván Duque, e com o presidente do Equador, Lenín Moreno. Os três trataram "da situação na Venezuela, onde são urgentes eleições livres e democráticas", conforme tuíte em sua conta oficial. Violando uma proibição de sair do país, Guaidó viajou esta semana para a Colômbia e, de lá, seguiu para a Europa. O líder opositor venezuelano já se reuniu com autoridades britânicas no Reino Unido, e com representantes europeus, em Bruxelas.

Giro internacional

Em Bogotá na segunda-feira (20), Guaidó foi recebido com honras de chefe de Estado e se reuniu com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, que lhe prometeu um maior apoio em sua luta para tirar Maduro do poder.

"Temos uma relação ativa, amistosa [com Juan Guaidó] (...) Estamos sempre buscando novas iniciativas para que esta grande coalizão continue crescendo e que possamos ver eleições livres na Venezuela em breve", disse o presidente colombiano na terça-feira (21).

O pedido de Guaidó é o mesmo. "Apoio para conseguir eleições livres e justas e para lutar contra a ditadura", reiterou ele, em entrevista ontem à rede BBC.

Em Bruxelas, na quarta-feira (22), a União Europeia expressou seu "firme apoio" a Guaidó. O venezuelano foi recebido pelo chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, pelo vice-presidente da Comissão Margaritis Schinas e por eurodeputados.

Reconhecimento de embaixadores

A representante diplomática de Juan Guaidó na Bélgica e na União Europeia (UE), María del Carmen Ponte, pediu ontem à Itália, à ilha de Chipre e à Eslováquia que o reconheçam como presidente interino da Venezuela. Estes três são os únicos dos 28 integrantes do bloco que ainda não o fizeram.

"Estamos solicitando a ampliação da coalizão na Europa, que os países que faltam reconhecer [Guaidó] o façam", afirmou Ponte, em conversa com a AFP em Bruxelas. "A mensagem é o apelo à Europa (...) para reforçar o apoio e a pressão para chegar a uma solução política que nos leve ao que sempre viemos pedindo: eleições livres e justas", explicou ela.

A representante diplomática de Guaidó ressaltou que a resposta da UE "aumentou à medida que a situação na Venezuela foi se agravando". Além do reconhecimento de Guaidó, ela pede que os embaixadores do governo interino de oposição também sejam reconhecidos.

"Frente a esse regime, não podemos reagir sozinhos na Venezuela", insistiu Ponte, que classificou a viagem de Guaidó como um "grande passo" para "sensibilizar e solicitar o apoio mais firme" da comunidade internacional. Nesse sentido, ela considerou o encontro com Borrell "muito importante".

Esta é a segunda vez que o líder da oposição venezuelana desafia a proibição de viajar imposta por Maduro. É possível que ele seja preso quando tentar voltar para a Venezuela. A última vez que Guaidó atravessou a fronteira, foi em fevereiro passado, quando tentou liderar uma operação internacional para entrada de ajuda humanitária na Venezuela. A operação, a partir da cidade colombiana de Cúcuta, fracassou por causa do bloqueio das Forças Armadas venezuelanas.

* Com informações da AFP

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