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Linha Direta

Ao contrário de Brasil e EUA, UE se abre para rede 5G com tecnologia da Huawei

Áudio 08:13
A Huawei é líder do universo 5G e controla quase 30% do mercado global de equipamentos do setor.
A Huawei é líder do universo 5G e controla quase 30% do mercado global de equipamentos do setor. ©REUTERS/Jason Lee/File Photo

A rede 5G vai muito além da conexão de internet mais rápida para o celular. O debate sobre a adoção desta tecnologia é polêmico e tem acirrado a disputa sino-americana pelo mercado. Enquanto isso, a União Europeia se prepara para a chegada do 5G, considerada a primeira revolução digital do século, com a tecnologia da Huawei.

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Correspondente da RFI em Bruxelas

O universo 5G na União Europeia avança em ritmos diferentes. Nesta quarta (29) e quinta-feira (30), Bruxelas sedia a Conferência 5G Fórum Europa para debater a questão com representantes da UE, empresas de telecomunicações e especialistas. Paralelamente, a Comissão Europeia anuncia a estratégia do bloco sobre a quinta geração da telefonia móvel.

A UE optou por não banir a chinesa Huawei – líder mundial no 5G – por considerar insuficientes as evidências apresentadas pelos Estados Unidos de que seus equipamentos possam ser usados para espionagem. Para a fúria do governo americano, o Reino Unido – que deixa o bloco no final deste mês – acabou de aprovar a tecnologia Huawei para criação da rede 5G no país, com restrições a locais próximos a bases militares e usinas nucleares. As nórdicas Ericsson e Nokia são alternativas para outros governos do bloco.

Atualmente, nove dos 28 países da União Europeia já estão usando serviços comerciais 5G – Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Espanha, Áustria, Irlanda, Romênia e Estônia. No final do ano passado, ainda sob comando de Jean-Claude Juncker, a Comissão Europeia lançou o “Plano de Ação do 5G”, para acelerar os esforços de criação de infraestruturas e serviços de quinta geração em 2020.

Segundo o projeto, o bloco deve estar integralmente coberto pela nova tecnologia até 2025. Para Juncker, o futuro digital deveria se tornar o DNA da Europa com a rede 5G que criaria 2,5 milhões de novos empregos e negócios no valor de € 150 bilhões por ano.

Disputa EUA x China

O ponto mais sensível da disputa geopolítica entre EUA e China é a tecnologia 5G. O potencial desta nova rede vem sendo comparado ao das grandes transformações tecnológicas que definiram o século XX, como eletricidade ou internet.

Na guerra pelo domínio da 5G os chineses estão na frente. Um dos tentáculos da “Nova Rota da Seda”, o grande projeto de política externa de Pequim, é área digital. A China tem investido pesado para aumentar sua influência através das empresas de telecomunicações e comércio digital. A Huawei é líder do universo 5G e controla quase 30% do mercado global de equipamentos do setor.

Especialistas dizem que o país que dominar o 5G vai ditar os padrões ao resto do mundo. Atualmente, é improvável que este país seja os Estados Unidos.

Washington vem alertando seus aliados europeus de que a Huawei representa risco para a segurança nacional, o que a empresa nega. Já a Europa, que não pretende abrir mão da solução Huawei, alega que os serviços da chinesa são melhores, mais baratos e já utilizados pelas operadoras europeias.

Brasil tem mesma postura que EUA

Recentemente, o ministro das Ciências e Tecnologia do Brasil, Marcos Pontes, afirmou que “a implementação da rede 5G no país não deve acontecer antes do final de 2021”. A declaração, que beneficia os Estados Unidos, concede um tempo maior aos americanos para promover uma alternativa mais atrativa aos brasileiros do que a chinesa Huawei. Além disso, reforça o alinhamento da política externa do governo de Jair Bolsonaro ao presidente americano, Donald Trump.

No momento, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ainda está definindo quais serão os deveres das operadoras para formalizar a data do leilão para a concessão de redes. A finlandesa Nokia e a chinesa Huawei estão de olho no público brasileiro e já possuem fábricas em São Paulo.

A Huawei pretende investir cerca de US$ 800 milhões e construir mais uma fábrica no país. Já a gigante sueca Ericsson anunciou o investimento de US$ 1 bilhão para aumentar sua fábrica na cidade paulista de São José dos Campos.

Ao lado da Índia e Indonésia, o Brasil é um dos mercados mais importantes para definir o futuro da rede 5G nos países em desenvolvimento. Atualmente, a Coréia do Sul é a nação mais adiantada na tecnologia 5G no mundo.

Revolução 5G

A tecnologia 5G – quinta geração de telecomunicações – será uma das mais potentes inovações de um futuro bem próximo. Muito além de celulares e tablets, a rede vai revolucionar o estilo de vida; indo da automação industrial às cidades inteligentes, e criando a chamada “internet das coisas”.

A conexão será pelo menos vinte vezes mais rápida do que a atual e a conectividade entre tudo que nos rodeia será infinitamente maior. Por exemplo, os carros autônomos poderão “conversar” com sinais de trânsito e sincronizar uma passagem apenas por semáforos verdes sem nenhuma intervenção humana. Os veículos se conectarão com o celular de pedestres distraídos para evitar acidentes. 

Casas inteligentes com sensores detectarão erros de construção, vazamentos de água ou problemas elétricos. Nesse cenário hiperconectado, geladeiras avisarão quando os produtos estiverem chegando perto da data de validade ou colchões vão poder se ajustar automaticamente de acordo com os padrões do sono de cada pessoa, levantando a cabeceira da cama quando o usuário ronca ou indicando quando uma criança levanta e sai da cama.

O 5G vai trazer conectividade em tempo real. Na medicina a nova tecnologia poderá causar uma pequena revolução. Marca-passos ligados à internet e cirurgiões em qualquer lugar do mundo participando ao vivo de uma operação à distância.

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