Acessar o conteúdo principal
Irlanda/Eleições

Ex-braço do IRA, partido radical de esquerda Sinn Fein se torna 2ª força no parlamento da Irlanda

Cartaz exibe a foto da líder do partido Sinn Fein, Mary Lou McDonald, em Dublin.
Cartaz exibe a foto da líder do partido Sinn Fein, Mary Lou McDonald, em Dublin. RFI/Jan van der Made

O partido radical de esquerda Sinn Fein obteve um resultado histórico nas eleições legislativas realizadas na Irlanda no último sábado (8). Segundo a contagem dos votos encerrada na madrugada desta terça-feira (11), a legenda se tornou a segunda maior formação política no parlamento do país, dominado pela centro-direita.

Publicidade

No total, o Sinn Fein conseguiu 37 das 160 cadeiras no Dail - a câmara baixa do parlamento irlandês - com dois representantes a mais que o Fine Gael (centro-direita), do primeiro-ministro Leo Varadkar, enquanto o Fianna Fail (centro-direita), ficou com 38. O atual resultado pode gerar a queda do premiê.

"O Sinn Fein venceu a eleição, conquistamos o voto popular!", comemorou Mary Lou McDonald, líder do partido que é ex-braço do Exército Republicano Irlandês (IRA) e que milita pela reunificação da Irlanda com a província britânica da Irlanda do Norte.

McDonald, de 50 anos, que em 2018 substituiu Gerry Adams no comando do Sinn Fein, caminhou triunfante na segunda-feira (10) por um mercado no centro de Dublin, onde posou com bebês e brincou de malabarismo com frutas.

Principal perdedor

O grande perdedor das eleições é sem dúvida o Fine Gael, de Leo Varadkar, que deve ter uma redução considerável do número de parlamentares. O atual primeiro-ministro, de 41 anos, homossexual, filho de um indiano, encarnava até recentemente uma nova Irlanda cada vez mais distante do estereótipo católico conservador.

No entanto, depois de três anos à frente de um governo minoritário, que foi apoiado por Fianna Fail, em nome da estabilidade ao resolver o complicado Brexit no vizinho Reino Unido, o premiê viu sua popularidade cair, à medida que se degradava no país o acesso à moradia e aos serviços públicos de saúde.

Para analistas, o avanço do Sinn Fein é um sinal de que os irlandeses querem mudanças, sobretudo os mais jovens, que estão atrás de novas oportunidades econômicas. A legenda ganhou popularidade ao trazer para o debate questões como a desigualdade no país.

As eleições legislativas irlandesas ocorreram apenas uma semana após a saída britânica da União Europeia, cujas consequências afetam o país vizinho e seus 4,9 milhões de habitantes. Varadkar baseou sua a campanha no sucesso de sua contribuição para um acordo entre Londres e Bruxelas. Mas errou o alvo: os eleitores irlandeses se mostraram mais preocupados com questões domésticas que o Sinn Fein pareceu abordar de maneira mais eficiente.

Novo governo

Tanto o Fine Gael quanto o Fianna Fail haviam afirmado que se recusariam a dialogar com o Sinn Fein para a formação de um novo governo. As duas formações veem com desconfiança os laços com o IRA, organização paramilitar que teve um papel importante nas três décadas do violento conflito entre republicanos católicos e unionistas protestantes que deixaram 3.500 mortos na Irlanda do Norte.

No entanto, após o anúncio dos resultados, Varadkar reconheceu que o país agora tem "um sistema de três partidos", lembrando que isso pode dificultar a formação de um governo. Já o líder do Fianna Fail, Micheal Martin, se mostrou mais flexível: apesar de destacar a "incompatibilidade" política sobre alguns temas com o Sinn Fein - como a reunificação entre as Irlandas - ele se negou a fechar a porta para uma futura aliança.

De seu lado, a líder do Sinn Fein afirmou que iniciou conversas com partidos pequenos de esquerda em uma tentativa de formar um governo de coalizão sem as legendas tradicionais do país. McDonald acredita que os dois grandes partidos "ainda estão em um estado de negação e não escutam o que o povo diz".

As negociações para formar o governo podem demorar semanas ou meses.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.