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Alemanha

Polícia alemã desmantela grupo de extrema direita que preparava atentados

Polícia alemã em alerta após prisões de extremistas de direita que planejavam atentados.
Polícia alemã em alerta após prisões de extremistas de direita que planejavam atentados. REUTERS/ Andreas Gebert

Doze pessoas foram presas na Alemanha nesta sexta-feira (14), como parte de uma investigação sobre um grupo de extrema direita suspeito de planejar ataques contra "políticos, pessoas que pedem asilo e muçulmanos", alimentando uma crescente preocupação com a violência extremista no país.

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As autoridades de segurança alemãs suspeitam que quatro dos detidos tenham formado "uma associação terrorista de extrema direita", enquanto os demais estariam dispostos a fornecer-lhes apoio "financeiro" ou "assistência na obtenção de armas", anunciou o Ministério Público Federal, em um comunicado.

O grupo formado em setembro passado tinha o objetivo de "abalar a ordem do Estado e da sociedade na Alemanha e, por fim, derrubá-la" disse a promotoria de Karlsruhe, responsável por investigações ligadas ao terrorismo.

Buscas se espalharam pelo país

A promotoria anunciou ações de buscas em 13 localidades, espalhadas em cinco regiões da Alemanha, incluindo a Baviera e Renânia do Norte-Vestfália, a mais populosa do país.

Entre os suspeitos, todos de nacionalidade alemã, há um policial da Renânia do Norte-Vestfália que havia sido suspenso, segundo um porta-voz do Ministério Regional do Interior.

"Os ataques, cujos planos concretos ainda não foram detalhados, seriam cometidos contra líderes políticos, solicitantes de asilo e muçulmanos, a fim de gerar uma situação próxima à guerra civil", afirmou a Justiça alemã.

Para implementar suas ações, os suspeitos se encontraram pessoalmente várias vezes e em lugares diferentes. Eles também usaram salas de bate-papo em diferentes serviços de mensagens digitais para se comunicar.

Preocupação com a extrema direita

As autoridades alemãs estão preocupadas com o terrorismo de extrema direita desde o assassinato de um político eleito com a bandeira pró-imigrantes, ligado ao partido da chanceler Angela Merkel, em junho do ano passado.

Walter Lübcke foi encontrado morto no dia 2 de junho, na varanda de sua casa. Defensor da acolhida de refugiados, ele havia recebido ameaças de morte.

Desde então, um neonazista foi detido. Fora dos radares da Inteligência havia vários anos, ele já tinha sido condenado no passado por violência racista. Seu DNA foi encontrado no local do assassinato.

O crime chocou a Alemanha, onde a extrema direita tem tido importantes sucessos eleitorais, em particular na antiga RDA comunista, onde a ala mais radical do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) está na mira dos serviços de Inteligência.

Em outubro, um jovem de extrema direita e negacionista do Holocausto tentou realizar um ataque a uma sinagoga em Halle, na antiga Alemanha Oriental. Sem conseguir arrombar a porta do edifício religioso judaico, ele atirou aleatoriamente contra pedestres e clientes de um restaurante de kebab. O ataque foi transmitindo pela Internet.

Em Dresden, na antiga RDA, oito neonazistas também estão sendo julgados há quase cinco meses por planejarem ataques contra estrangeiros.

A preocupação com o aumento de casos de violência contra políticos eleitos também cresce no país. Em janeiro, um deputado de origem senegalesa, Karamba Diaby, recebeu ameaças de morte e buracos de bala foram descobertos na janela de seu escritório, em Halle.

Líder conservador renuncia

Também nessa sexta-feira, o líder dos conservadores da Turíngia, no centro-leste da Alemanha, anunciou a sua renúncia. Mike Mohring deixa o cargo após o terremoto político provocado na Alemanha por sua aliança sem precedentes com a extrema direita, fato que mergulhou o partido de Angela Merkel em uma profunda crise.

"Acho que seria bom pacificar o partido, deixar de lado os interesses pessoais e encontrar um caminho comum para o futuro", disse Mohring, em um vídeo postado em sua conta no Twitter. "Eu não quero ser um obstáculo e, portanto, não vou concorrer novamente à Presidência do partido", acrescentou.

Mohring estava sob pressão desde a eleição para o Parlamento regional de um líder liberal com o apoio dos conservadores da União Democrata Cristã (CDU) e da extrema direita da Alternativa para a Alemanha (AfD), quebrando um tabu existente desde o final da Segunda Guerra Mundial.

A aliança foi descrita como um "ato imperdoável" pela chanceler Angela Merkel, que exigiu sua anulação, possivelmente por meio de novas eleições.

Mike Mohring recusou essa opção durante uma reunião em Erfurt, capital da Turíngia, com a presidente da CDU, Annegret Kramp-Karrenbauer (AKK). Na segunda-feira (10), a sucessora designada de Merkel anunciou que renunciaria à sua candidatura à Chancelaria, assim como à Presidência do maior partido da Alemanha, um grande golpe para a chanceler.

Dois dos três possíveis substitutos de AKK estão no campo anti-Merkel, o que revive as especulações de um fim prematuro do quarto e último mandato da chanceler alemã.

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