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Linha Direta

Neofascistas devem ganhar força em eleições legislativas na Eslováquia

Áudio 07:49
Eslováquia vai às urnas no sábado, 29 de fevereiro, para renovar o Parlamento, de onde sairá o próximo governo. Na foto, cartazes com os candidatos em Bratislava. 21/02/20
Eslováquia vai às urnas no sábado, 29 de fevereiro, para renovar o Parlamento, de onde sairá o próximo governo. Na foto, cartazes com os candidatos em Bratislava. 21/02/20 REUTERS/David W Cerny

A Eslováquia vai às urnas no sábado (29) para renovar o Parlamento, de onde sairá o próximo governo. O país corre o risco de ver a extrema direita ganhar destaque nestas eleições. A última pesquisa do Eurobarômetro mostrou que 70% dos eslovacos não confia no Parlamento, muito menos no governo do país. 

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Correspondente da RFI em Bruxelas

A União Europeia acompanha com interesse as eleições na Eslováquia, um dos países mais jovens do bloco. Dois anos após o assassinato do jornalista investigativo, Jan Kuciak, e de sua noiva, que derrubou o primeiro-ministro do país, Robert Fico, os eslovacos vão às urnas neste sábado, 29 de fevereiro, para escolher o novo Parlamento, composto por 150 deputados, de onde sairá o próximo governo.

Mais de quatro milhões de eslovacos estarão aptos a votar e uma das principais questões é se a extrema direita vai conquistar o segundo lugar, como previsto nas últimas pesquisas de intenção de voto. A maioria dos eslovacos está decepcionada com a política no país e exausta com os escândalos envolvendo os sociais-democratas, no poder há 14 anos.

Os jovens querem acesso a uma educação melhor e rejeitam o extremismo e a corrupção. O inquérito sobre o assassinato do jornalista Kuciak apontou supostas ligações entre empresários, políticos e oficiais da Justiça.

Sociais-democratas devem ser desbancados

É um pouco difícil de prever o resultado das urnas porque há vários partidos próximos aos 5% de votos necessários para entrar no Parlamento eslovaco. Mas, segundo as últimas sondagens, os partidos de centro-direita e os liberais devem desbancar os sociais democratas do Smer-SD, que dominam a política na Eslováquia há mais de uma década.

Pesquisas indicam que o partido conservador, de centro-direita, Olano, será o mais votado e deverá formar um governo com grupos de mesma tendência política. As divisões na oposição podem ser favoráveis à extrema direita.

O Partido Popular A Nossa Eslováquia, liderado pelo neofascista Marian Kotleba, poderá alcançar a terceira posição no Parlamento, com cerca de 10% dos votos. Kotleba tem um discurso de ódio contra os judeus e a comunidade dos roms – a maior minoria da Europa. Ele ficou conhecido por usar uniformes nazistas em público e proferir declarações racistas; foi detido e acusado várias vezes, mas jamais condenado.

Apoio à extrema direita

Não existe uma razão única, mas há uma combinação entre a perda de credibilidade moral dos partidos "mainstream", as grandes e crescentes diferenças regionais que deixam muitas pessoas para trás em relação ao aumento de prosperidade. O país está frustrado e desencantado com a classe política.

Especialistas apontam a elite política tradicional como responsável em transformar a extrema direita em um projeto bem sucedido na Eslováquia. Este voto radical também é uma forma de protesto.

Nos últimos anos, partidos de extrema direita ascenderam na Europa; e esta onda populista está presente principalmente nos países do Grupo de Visegrado - Polônia, Hungria, República Tcheca e Eslováquia. Desde a crise migratória de 2013, estes governos endureceram suas políticas migratórias alegando diferenças religiosas e culturais.

Na Eslováquia, cerca de 400 mil roms vivem na extrema pobreza e o alto índice de desemprego nas áreas onde esta comunidade tenta sobreviver em Bratislava ajuda a reforçar o crescimento da extrema direita no país.

Presidente eslovaca é a antítese da situação atual

Para Bruxelas, a vitória da advogada e ativista, Zuzana Caputova, nas eleições presidenciais em junho do ano passado, foi uma lufada de ar puro na região, que é dominada por governos populistas com discursos nacionalistas. Caputova, de 45 anos, é a primeira mulher a presidir a Eslováquia e chegou ao poder com a promessa de lutar contra a corrupção e trabalhar para um país mais justo.

Considerada “outsider” do mundo político eslovaco, ela venceu com 58% dos votos no segundo turno. Ambientalista, liberal e pró-União Europeia, Zuzana Caputova, prega valores como Estado de Direito e transparência, justiça social e solidariedade. Na Eslováquia, o presidente não governa, mas ratifica os tratados internacionais e nomeia os altos magistrados; é responsável pelo comando das Forças Armadas e tem o direito a veto.

Do comunismo à extrema direita

As atuais Eslováquia e República Tcheca formavam a Tchecoslováquia (1918-1992), criada no final da Primeira Guerra Mundial, em decorrência da fragmentação do Império Austro-Húngaro. Foi o último país europeu a passar para o lado soviético da Cortina de Ferro após a Segunda Guerra Mundial.

Durante os anos de tolerância do último líder da URSS, Mikhail Gorbatchev, a Tchecoslováquia abandonou o comunismo. Veio a Revolução de Veludo, sob a liderança do dramaturgo e dissidente Haclav Havel, que depois se tornaria presidente dos tchecos. Os dois países se separaram pacificamente em 1993 - fenômeno conhecido como o Divórcio de Veludo.

A Esvoláquia e República Tcheca aderiram à União Europeia em 2004, na grande ampliação do bloco no Leste Europeu/Europa Central. Com a adesão, a Eslováquia conquistou um crescimento econômico bastante sólido. No ano passado, o país registrou aumento de 4% do Produto Interno Bruto do país, uma marca bem acima da média do bloco europeu.

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