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Coronavírus/Itália

Covid-19 transforma a vida na Itália, novo epicentro mundial da pandemia

Fachada do Palácio Marino, em Milão, uma das regiões da Itália mais atingidas  pelo Covid-19.
Fachada do Palácio Marino, em Milão, uma das regiões da Itália mais atingidas pelo Covid-19. Foto:REUTERS/Daniele Mascolo

A Itália está quase paralisada pelo novo coronavírus. O decreto do governo deliberado em 11 de março estabeleceu que todos devem permanecer em suas casas. Escolas, lojas, bares, restaurantes, museus, teatros, cinemas e escritórios estão fechados. Podem funcionar apenas supermercados, farmácias e serviços essenciais. Além da rotina da população, o trabalho das instituições italianas foi afetado pela emergência do Covid-19, forçando a criação de um novo sistema de organização do país que registra o maior número de mortos vítimas da pandemia no mundo.

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Correspondente da RFI em Roma

Segundo dados oficiais divulgados nesta sexta-feira (20), mais de 4.000 pessoas já morreram vítimas do coronavírus na Itália. Pelo menos 47 mil casos já foram registrados no país.

Diante da propagação da pandemia, os políticos e as autoridades locais tentam dar o bom exemplo e respeitar a quarentena. A ordem é evitar reuniões e limitar os contatos ao mínimo possível, também para a segurança das equipes do governo, já que vários políticos tiveram resultado positivo no teste do novo coronavírus. Entre eles, Anna Ascani, vice-ministra da Educação, e Pier Paolo Sileri, vice-ministro da Saúde, além dos governadores da região da Lombardia, Attilio Fontana e o da Lácio, Nicola Zingaretti, assim como o prefeito de Lodi, no norte da Itália, Marcello Cardona.

O governo está trabalhando quase exclusivamente com contatos virtuais e usa principalmente Skype. No início da tarde desta sexta-feira (20), no Palácio Chigi, sede do governo, o primeiro-ministro Giuseppe Conte conversou em videoconferência com os ministros Roberto Speranza (Saúde), Lorenzo Guerini (Defesa) e Francesco Boccia (Negócios Regionais e Províncias autonomas). O premiê também se conectou com o chefe da Defesa Civil Angelo Borrelli e com o comissário de emergência Domenico Arcuri, como faz todos os dias. Em Turim, sempre por videoconferência, o presidente da Região do Piemonte, Alberto Cirio, fez um balanço da situação com os prefeitos de várias cidades piemontesas, e os representantes de Anci, Anpci, Upi e Uncem.

Para discutir medidas a favor de categorias mais afetadas pela situação, Giuseppe Conte e representantes do governo conversaram em videoconferência com os sindicatos. Em várias fábricas, os trabalhadores haviam entrado em greve e pedem maiores garantias de segurança. A videoconferência será retomada mais tarde após as centrais sindicais terem consultado suas bases.

Senadores e deputados também estão reorganizando o trabalho. Pela primeira vez na história do país, os debates entre os líderes dos grupos parlamentares foram organizados por videoconferência e não nas sedes do Senado e a Câmara dos Deputados. O parlamento decidiu que não paralisará suas atividades, mas os trabalhos serão limitados. O presidente da Câmara Roberto Fico insistiu que o parlamento deve desempenhar seu papel central na conduta do país, ainda mais em tempos de crise.

No entanto, o número de sessões foi reduzido e apenas as discussões relacionadas à crise do coronavírus estão na ordem do dia. As comissões se reúnem em salas maiores para cumprir a distância mínima de segurança de cerca de 1,5 metro entre cada pessoa.

Votos são mantidos

Decretos emitidos pelo governo que precisam ser convertidos em lei devem ser examinados. Em particular, o decreto "Cura Itália", com ajudas financeiras destinadas às empresas, trabalhadores e famílias, com o objetivo de impedir que o país caia em uma terrível crise econômica com uma anunciada catástrofe social.

O Senado estabeleceu a meta de encerrar seu trabalho até 8 de abril para permitir que o projeto de lei seja examinado na Câmara dos Deputados. Nesse sentido, será realizada uma nova reunião dos líderes dos grupos parlamentares em 24 de março para definir os procedimentos de votação, pois a presença de 630 deputados representa um risco de contaminação.

O parlamento excluiu a possibilidade de votação por teleconferência. A decisão suscitou muitas críticas, principalmente dos parlamentares bloqueados nas regiões mais isoladas, como as ilhas da Sicília e da Sardenha.

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