Acessar o conteúdo principal

Coronavírus: Europeus só têm capacidade para atender 10% da demanda de equipamentos médicos

Membros da unidade militar de emergências (UME) da Espanha deixam casa de repouso após desinfecção do local contaminado pelo novo coronavírus.
Membros da unidade militar de emergências (UME) da Espanha deixam casa de repouso após desinfecção do local contaminado pelo novo coronavírus. REUTERS - Susana Vera

Os países europeus têm capacidade para responder a apenas 10% da demanda de equipamentos de proteção pessoal e de suporte hospitalar, como aparelhos de respiração artificial, diante da explosão das infecções causadas pelo novo coronavírus. Essa informação consta de um documento da Comissão Europeia.

Publicidade

No documento, consultado pela agência Reuters, a Comissão Europeia diz que "a disponibilidade e a entrega de equipamentos médicos [máscaras, luvas, toucas e outros trajes descartáveis], principalmente respiradores artificiais, continuam sendo motivo de preocupação na Europa". A maioria dos estados membros, afirma o órgão Executivo da UE, dispõe de reservas limitadas e capacidade restrita para acelerar a produção desses bens. Medidas impostas por alguns países do bloco à exportação de dispositivos médicos para seus parceiros complicam a situação, assim como os controles restabelecidos em certas fronteiras internas da União Europeia.

A Comissão de Bruxelas, que lançou há um mês uma licitação conjunta em nome de 25 dos 27 países para a compra de aparelhos de respiração mecânica, fundamentais no tratamento de casos severos da nova pneumonia viral, anunciou na terça-feira (24) que em breve seria capaz de assinar contratos com vários fornecedores de máscaras e óculos de proteção. Porém, esses equipamentos só estarão disponíveis duas semanas após a efetivação das compras.

Existe uma necessidade urgente de fornecer proteção aos profissionais da saúde, que estão na linha de frente do combate à pandemia da Covid-19.

Na Itália, país do mundo com o maior número de vítimas da doença, mais de 6.800 mortos, estimativas indicam que enfermeiros e médicos representam quase 9% do número total de contaminações confirmadas. Na Espanha, são mais de 13%, apesar destes dados serem provavelmente enganosos, uma vez que os cuidadores são submetidos a mais testes de diagnóstico do que o resto da população.

Espanha pede ajuda da Otan e fecha contrato com a China

A Espanha superou o número de mortes registradas na China em decorrência do novo coronavírus, com 3.434 vítimas fatais desde o início do surto – 738 delas nas últimas 24 horas – , e o Exército pediu ajuda material à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para combater a epidemia. Faltam máscaras, trajes sanitários, luvas descartáveis, termômetros infravermelhos e testes de detecção rápida da Covid-19.

Hoje, o ministro da Saúde espanhol, Salvador Illa, anunciou que fechou um contrato com a China, no valor de € 432 milhões, para fornecimento de material sanitário. Pequim vai fabricar 550 milhões de máscaras, 5,5 milhões de testes rápidos, 950 respiradores e 11 milhões de luvas cirúrgicas descartáveis para ajudar o governo espanhol a enfrentar a escassez de produtos de proteção pessoal. "Fábricas inteiras na China vão trabalhar exclusivamente para o governo espanhol", declarou o ministro. As entregas serão semanais, acrescentou, indicando que o primeiro carregamento chegará ao país no fim de semana. Segundo Salvador Illa, o contrato foi negociado na semana passada num telefonema do primeiro-ministro Pedro Sanchez ao presidente chinês, Xi Jinping.

O premiê socialista tem sido criticado pelos presidentes das províncias espanholas e por associações de médicos que reclamam da falta de material de proteção nos estabelecimentos de saúde. Mais de 5.400 enfermeiros e médicos foram infectados pelo novo coronavírus na Espanha. Mas essa carência também é enfrentada pela França e a Itália, podendo se repetir no futuro próximo em outros países do bloco europeu.

(Com informações das agências internacionais)

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.