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França/Aposentadoria

Reforma da aposentadoria na França pode trazer mais desigualdade, alerta Libération

Manifestação de aposentados, em Paris.
Manifestação de aposentados, em Paris. REUTERS/Charles Platiau

Trabalhar mais e se aposentar mais tarde, mas em quais condições de saúde? Este é o questionamento feito pelo jornal Libération nesta quarta-feira (20) em meio à discussões sobre a nova reforma a ser implantada pelo governo francês para tentar equilibrar o sistema de aposentadoria do país.

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O diário lembra que em abril, o presidente Emmanuel Macron considerou de "bom senso" o fato de que os franceses deverão trabalhar mais porque a expectativa de vida aumentou no país.

De fato, os números comprovam: estatísticas mais recentes revelam que a esperança de vida das mulheres na França é de 85,3 anos, e dos homens de 79,4 anos. Em comparação com dados de 20 anos atrás, o aumento é considerável, cerca de 3 anos a mais para as mulheres e mais de 4 anos para os homens.

Esse aumento na expectativa de vida é o principal argumento dos governantes para justificar reformas no sistema de aposentadoria e fazer as pessoas trabalharem mais, lembra Libération.

O problema apontado pelo jornal é que se for levado em conta o fator saúde, a situação ganha outros contornos: homens sem limitação de suas atividades diárias, ou seja, com boa saúde, vivem em média 63,4 anos, enquanto as mulheres, vivem 65,5 anos levando em conta o mesmo critério.

Libération lembra que atualmente a idade média para a aposentadoria na França é de pouco mais de 62 anos para os homens e 63 para as mulheres. Mas a reforma a ser proposta pelo governo pretende aumentar a idade para requerer o benefício, isto é, cotizar mais para uma aposentadoria mais tardia. A medida, aponta Libération, pode elevar as desigualdades no país.

Libération resume no título da reportagem sua preocupação. Aposentadoria e saúde: nova era das injustiças?

Com a ajuda de gráficos, o diário mostra que a expectativa de vida com boa saúde cresce em um ritmo mais lento do que o aumento da idade para o pedido de aposentadoria.

Estatísticas de 2016 mostram ainda que as mulheres que estão entre as 5% mais ricas da população vivem em média 88,3 anos, e os homens 84,4 anos, enquanto as mulheres que estão entre as 5% mais pobres vivem 80 anos e os homens, 71,4 anos. Conclusão: quanto mais rico, mais tempo para viver e desfrutar da aposentadoria.

Em editorial, Libération questiona se não seria o caso de analisar as diferentes profissões para estabelecer quais delas seriam mais penosas para permitir ao empregado requerer mais cedo o benefício a fim de  desfrutar mais tempo da aposentadoria com boa saúde. O problema é que os sindicatos patronais se opõem a discutir. Mas são os patrões que devem decidir?, pergunta o editorialista Laurent Joffrin.

 

 

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