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França

Ícone da nova geração de atrizes da França, Adèle Haenel presta queixa contra diretor por abuso sexual

Adèle Haenel no longa "A Garota Desconhecida", dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne.
Adèle Haenel no longa "A Garota Desconhecida", dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne. Christine Plenus

Depois de comover a França com depoimentos de assédio e abuso sexual supostamente protagonizados pelo diretor francês Christophe Ruggia, a atriz Adèle Haenel registrou queixa nesta terça-feira (26) junto às autoridades. Segundo a atriz, as primeiras investidas do cineasta tiveram início quando ela tinha apenas 12 anos.

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Os advogados de Adèle Haenel afirmaram que a atriz prestou depoimento nesta tarde no Escritório Central para a Repressão de Violências contra Pessoas, em Nanterre, na periferia de Paris. A francesa de 30 anos é um ícone da nova geração do cinema francês, recompensada com dois César e protagonista de grandes produções atuais, como "Retrato de uma jovem em chamas", de Céline Sciamma, "120 Batimentos por Minuto", de Robin Campillo, e "A Garota Desconhecida", dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne.

Apesar das denúncias, realizadas por Adèle Haenel em entrevista ao site de notícias Mediapart no início de outubro, a atriz ainda não havia registrado queixa contra Christophe Ruggia. Com a forte repercussão do caso, o Ministério Público francês abriu uma investigação por "agressões sexuais" contra menor de menos de 15 anos por "pessoa com autoridade".

"Agora solicitada pelo serviço de investigação, Adèle Haenel se engaja ativamente neste processo, considerando que é sua responsabilidade como personalidade pública de se pronunciar, dada a gravidade dos fatos denunciados e das consequências deles para cada um", explicaram Anouck Michelin e Yann Le Bras, advogados da atriz.

Assédio sexual permanente

O caso veio à tona após uma entrevista de Adèle Haenel ao site de notícias Mediapart. Uma vasta investigação jornalística foi realizada após a denúncia, com vários depoimentos que confirmavam as acusações da atriz. Segundo ela, as investidas de Christophe Ruggia tiveram início em 2001, quando a jovem tinha 12 anos e o diretor 36 anos, durante a preparação para o longa "Les Diables" (sem título em português), seu primeiro filme.

"Ele se grudava em mim, beijava meu pescoço, cheirava meus cabelos, acariciava minhas coxas em direção ao meu sexo, passava a mão debaixo da minha camiseta, perto dos meus seios. Ele ficava excitado, eu o empurrava, mas isso não bastava, era sempre necessário que eu mudasse de lugar", afirmou a atriz ao Mediapart, descrevendo um "assédio sexual permanente". A equipe da produção e a própria mãe de Adèle Haenel afirmam ter percebido comportamentos anormais, desde a época descartados pelo diretor.

Para a atriz, Ruggia tinha claras intenções de manter relações sexuais com ela. Também ressalta o medo que a paralisava: "Eu tentava não me mexer, ele ficava zangado quando percebia que eu não estava de acordo, tinha crises a cada vez que isso acontecia. "Eu me sentia muito mal, tão suja que tinha vontade de morrer", relembra.

"Adulação" mal-entendida

Ruggia, de 54 anos, recusa todas as acusações, mas admite ter "cometido o erro de brincar de ser um pigmaleão com os mal-entendidos e os obstáculos que esta postura suscita". "Não percebi que minha adulação (...) podia ser, devido à sua juventude, penosa em alguns momentos", disse. O diretor também pediu desculpas públicas.

A atitude da atriz de denunciar os atos do cineasta comoveu a França, dando início a uma segunda fase do #MeToo no país, chamado de #BalanceTonPorc (Entregue o seu porco). Nas redes sociais, francesas compartilharam depoimentos de abusos e agressões sexuais vivenciadas durante a infância e a adolescência. No início de novembro, Ruggia foi expulso da Sociedade de Diretores de Filme da França.

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