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Imprensa

Jornal católico francês questiona "cura gay" e aponta riscos para homossexuais

O jornal católico francês "La Croix" faz um balanço sobre práticas abusivas de "cura gay".
O jornal católico francês "La Croix" faz um balanço sobre práticas abusivas de "cura gay". Fotomontagem RFI

Um documentário que vai ao ar na noite desta terça-feira (26) na França sobre "terapias de cura gay" praticadas na Europa e nos Estados Unidos leva o jornal católico La Croix a fazer um balanço sobre esses métodos abusivos.

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O documentário "Homoterapias: uma conversão forçada", do diretor Bernard Nicolas, será exibido pelo canal franco-alemão Arte. O filme apresenta testemunhos de homossexuais que passaram, durante a juventude, por sessões de reorientação sexual em cinco países: França, Alemanha, Suíça, Estados Unidos e Polônia. Na França, duas associações, a católica Coragem e a evangélica protestante Torrentes de Vida, oferecem a "cura gay".

O documentário é importante e ao mesmo tempo perturbador, diz o diário La Croix. O filme mostra sessões de exorcismo e outras aberrações propostas aos homossexuais para convertê-los à heterossexualidade. As pessoas homoafetivas são aconselhadas a adotar a abstinência, quando não conseguem mudar de orientação sexual.

La Croix ressalta que essas pretensas "terapias" são perigosas, uma vez que incitam os homossexuais a vasculhar o passado familiar em busca de traumas. Especialistas dizem que esse processo traz um risco de desestabilização psíquica importante. O amálgama da teologia com a psicologia dá margem a derivas, adverte a reportagem.

Obrigação da Igreja é acolher a orientação sexual do indivíduo

O jornal recorda que as "terapias de cura gay" floresceram nos Estados Unidos nos anos 1950. Na época, alguns sexólogos americanos acreditavam que a homossexualidade poderia ser tratada por meio de métodos que associassem uma sensação desagradável a um conteúdo homossexual. Essas práticas violentas foram abandonadas nos anos 1970, mas foram recuperadas por associações religiosas ultraconservadoras.  

Segundo padres ouvidos na reportagem, quando um jovem descobre sua homossexualidade, seja ele católico ou não, é comum haver um questionamento. Mas, nessas circunstâncias, o papel da Igreja é levar o indivíduo a refletir sobre o que ele deseja fazer com isso, a maneira como pretende viver sua orientação sexual. Algumas associações francesas, respaldadas por padres progressistas, psicólogos e psicanalistas, oferecem apoio para que os homossexuais não sejam ludibriados pela "cura gay".

Legislação contra abusos pode melhorar

O Parlamento Europeu adotou, em 2018, uma diretriz para estimular os países do bloco a legislar sobre a "cura gay". Mas até agora, apenas duas regiões autônomas da Espanha (Madri e Valença) e a ilha de Malta adotaram sanções.

Na França, parlamentares examinam atualmente em uma comissão da Assembleia Nacional se é o caso de ampliar as penas contra esses métodos que pretendem modificar a orientação sexual ou a identidade de gênero da pessoa. O direito francês dispõe de leis que podem ser aplicadas contra os autores de abusos. Eles podem ser processados por "abuso de fraqueza" e "violências voluntárias".

Depois do debate provocado por católicos ultraconservadores contrários à legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, em 2013, cerca de 50 dioceses francesas adotaram medidas para melhor acolher os homossexuais. O país tem atualmente quatro movimentos ecumênicos que promovem ações para acabar com as discriminações contra pessoas homoafetivas e transgêneros.

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