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França/ Estudantes

Jovem ateia fogo no próprio corpo na França; 2° caso em menos de 1 mês

Manifestação convocada pelo sindicato de estudantes franceses Solidaires, dias depois que um estudante de 22 anos se imolou por causa de problemas financeiros.
Manifestação convocada pelo sindicato de estudantes franceses Solidaires, dias depois que um estudante de 22 anos se imolou por causa de problemas financeiros. PHILIPPE DESMAZES / AFP

Uma jovem de 18 anos colocou fogo no próprio corpo nesta segunda-feira (25), na escola secundária onde estudava em Seine-Saint-Denis, periferia de Paris. O gesto da secundarista acontece após a tentativa de imolação, no dia 8 de novembro, de um estudante universitário, e na véspera de uma jornada de mobilização contra a precariedade estudantil, nesta terça-feira (26).

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Os alunos que assistiram a tentativa de suicídio no Liceu George Clémenceau de Villemomble estão chocados com a violência do gesto. Depois de colocar fogo no próprio corpo, a jovem aluna do ensino médio se jogou de uma passarela e caiu no pátio da escola. A secundarista foi levada em estado grave para o hospital.

As aulas foram interrompidas. Uma equipe de apoio psicológico foi criada para ouvir os estudantes do Liceu e permanece ativa na manhã desta terça-feira.
Mesmo se a secundarista sofria de “problemas psicológicos e seguia um tratamento”, segundo os investigadores, os motivos de seu gesto são desconhecidos. As autoridades escolares pedem prudência e alertam para o grande número de fakenews que circulam nas redes sociais.

Precariedade estudantil

Há duas semanas, a tentativa de imolação de um estudante universitário de 22 anos, em Lyon, emocionou e revoltou a França. O jovem havia perdido sua bolsa de estudos, enfrentava dificuldades financeiras e deixou uma carta para justificar seu gesto em frente a um prédio da Universidade de Lyon 2.

Denunciando a precariedade dos estudantes, ele explicou que, mesmo quando tinha direito à bolsa de estudos, ela não era suficiente. Ele recebia € 450 por mês (aproximadamente R$ 2.069), três vezes menos que o salário mínimo na França.

O universitário teve 90% do corpo queimado e seu estado de saúde agora está estável.

Protestos

Imediatamente após a tentativa de suicídio, protestos foram organizados pelo sindicato dos estudantes “Solidários” em 40 cidades. Os representantes estudantis afirmam que a situação de precariedade denunciada pelo gesto extremo do universitário de Lyon é comum entre os estudantes. O sindicato alertava que o país “não estava imune a outras tentativas de suicídio" e exigia medidas do governo.

Por isso, todos os sindicatos estudantis convocaram para esta terça-feira(26) um dia de mobilização nacional contra a precariedade. O relatório do Observatório Nacional das Condições de Vida dos Estudantes (OVE), de 2016, indicava que 25% dos 46 mil alunos afirmaram enfrentar importantes dificuldades financeiras.

Diante do aumento do custo de vida no país, cerca de 30 mil estudantes na França recorreram em 2018 às refeições gratuitas distribuídas pela célébre instituição de caridade "Restos du Coeur", criada há 35 anos pelo humorista Coluche para ajudar as populações carentes.

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