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A Semana na Imprensa

Sistema de redistribuição eficaz reduz desigualdades na França

Áudio 03:16
A revista semanal Le Point analisa um estudo sobre evolução das desigualdades na França.
A revista semanal Le Point analisa um estudo sobre evolução das desigualdades na França. Fotomontagem RFI

A revista semanal Le Point decide contestar a avaliação do economista anticapitalista Thomas Piketty e põe em discussão a questão das desigualdades sociais na França, com base em um estudo recém-publicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Estatísticas (Insee), organismo equivalente ao IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no Brasil.

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“Nunca os esforços de justiça social foram tão importantes quanto nos últimos anos, principalmente depois da crise financeira internacional de 2008”, afirma a Le Point. Em meio à crise dos coletes amarelos e as reivindicações legítimas por melhorias no poder aquisitivo, o estudo “França, retrato social”, edição de 2019 do Insee, revela que as políticas de redistribuição do Estado permitiram diminuir as desigualdades em mais de 20% no período de 1984 a 2016, isto é, num intervalo de três décadas.

Não importa o indicador social utilizado para análise, explicam os economistas do Insee, as desigualdades diminuíram expressivamente na França entre 1975 e o início dos anos 2000. Na década seguinte, houve um ligeiro aumento devido à crise de 2008, compensado a partir de 2013. Resutado: em 2016, os franceses se encontravam em melhor situação de distribuição de renda do que em 1975, no final do ciclo de 30 anos de forte crescimento econômico do pós-guerra, os chamados Trinta Gloriosos.

Dito de outra forma, destaca a Le Point, tomando-se um período de 40 anos, à exceção do primeiro mandato do ex-presidente socialista François Mitterand, nunca o Estado francês fez tamanho esforço de redistribuição de renda, graças a um sistema fiscal complexo, mas que alimenta um leque variado de programas sociais. Porém, economistas defensores de um modelo econômico mais distributivo e até a imprensa reforçam o sentimento de que o Estado não cumpre a sua parte.

Divergências de modelo

Recentemente, o presidente Emmanual Macron reduziu de 5 euros uma ajuda financeira do Estado para o pagamento de aluguel (APL), um erro político que, hoje, ele mesmo admite. Mas, os dados oficiais mostram que, no intervalo de 40 anos, a França triplicou o montante global das prestações sociais dedicadas à habitação.

De acordo com a Le Point, os franceses estão sinceramente convencidos de que as desigualdades não pararam de se aprofundar no país nas últimas décadas e que a sociedade é vítima da globalização liberal. "Mas esta visão apresenta o sério problema de se basear em dados falsos, que levam a análises tendenciosas e a conclusões erradas", escreve a revista.

Diante desses dados factuais, prossegue a reportagem, o tema de pesquisa que se impõe, atualmente, tem mais a ver com o campo da sociologia. Por que a grande maioria dos franceses tem a impressão de viver num país cada vez mais injusto socialmente, questiona a Le Point, impressionada com o que chama de “piketização dos espíritos".

O economista francês Thomas Piketty, grande teórico da desigualdade, revolucionou a pesquisa acadêmica sobre distribuição de renda no best-seller “O Capital no Século XXI”, no qual disseca as assimetrias de renda e patrimônio. Em seu livro mais recente, “Capital e Ideologia”, ele diz que “a desigualdade é sobretudo ideológica” e propõe “a circulação de bens” para “superar o capitalismo”.

De maneira sutil, sem atacar diretamente Piketty, a Le Point sugere aos seus leitores que analisem os dados do Insee à luz das afirmações do economista.

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