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Moda/França

Chanel antecipa desfile em Paris para evitar greve geral

Desfiles "Métiers d'art" da Chanel apresentam peças que abusam dos bordados, rendas e outras técnicas artesanais.
Desfiles "Métiers d'art" da Chanel apresentam peças que abusam dos bordados, rendas e outras técnicas artesanais. REUTERS/Gonzalo Fuentes

A marca francesa Chanel fez nesta quarta-feira (4), em Paris, mais um desfile “Métiers d’art”. A apresentação visa valorizar o trabalho artesanal de ateliês, muitos deles ameaçados de extinção. O evento estava previsto para quinta-feira (5), mas foi antecipado em razão da greve geral que deve paralisar a França.

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O calendário da moda parisiense é marcado pelos desfiles de prêt-à-porter e da alta-costura, divididos entre outono-inverno e primavera verão, além de algumas apresentações Croisière, apresentadas entre duas temporadas. No entanto, algumas marcas podem se dar ao luxo de organizar um desfile fora dessas regras.

É o caso da Chanel, que faz uma vez por ano uma apresentação na qual as considerações climáticas ou comerciais são colocadas de lado. Nessa ocasião, a única coisa que importa, segundo a marca, é mostrar o que de melhor os artesãos de moda são capazes de produzir. Bordadores, chapeleiros, especialistas em luvas, plumas, rendas e outros brocados trabalham durante dias para criar um desfile com peças únicas, que a marca exibe pelos quatro cantos do mundo desde 2002. Batizados de Métiers d’art (profissões de arte, em tradução literal), esses eventos excepcionais já foram realizados em cidades como Hamburgo, Nova York, Salzburg, Tóquio e até Istambul.

Mas este ano o desfile acontece novamente em Paris, no Grand Palais, onde tradicionalmente a grife apresenta suas coleções. No entanto, a atualidade francesa acabou mudando os planos, pois o show deveria acontecer em 5 de dezembro, dia em que inúmeros sindicatos convocaram uma greve que deve paralisar o país.

Funcionários de transportes públicos, estudantes, policiais, garis, advogados, médicos, enfermeiros, professores, funcionários de companhias aéreas, entre outros setores, se unirão contra um projeto de reforma do sistema previdenciário francês. Além da mobilização das diferentes categorias, passeatas estão previstas durante o dia.

Diante da situação, a Chanel decidiu antecipar o evento. A marca, que nunca teve medo de ironizar questões sociais nas passarelas - como em 2014, quando fez um desfile reproduzindo uma manifestação de rua - preferiu desta vez não correr o risco de ter seu show perturbado.

Homenagem ao artesanato

Na passarela, o público vindo do mundo todo pode admirar peças cheias de bordados, alguns vestidos esvoaçantes e muito brilho. Tudo lembrando os códigos da marca, como as camélias (que adornam os convites para o evento), as pérolas, os efeitos acolchoados (típicos das bolsas best-seller da grife) e, é claro, muito preto e branco, cores fetiche de Karl Lagerfeld, que dirigiu o estilo da maison entre 1983 e sua morte, em fevereiro deste ano.

Final do desfile Métiers d'art da Chanel, com Virginie Viard à esquerda. Cenário reproduz escadaria espelhada da loja da marca em Paris.
Final do desfile Métiers d'art da Chanel, com Virginie Viard à esquerda. Cenário reproduz escadaria espelhada da loja da marca em Paris. REUTERS/Gonzalo Fuentes

“Quero que usar uma roupa Chanel seja um tesouro”, declarou a discreta Virginie Viard, nova diretora artística da marca e ex-braço-direito do Kaiser, como era chamado o estilista alemão. Desde que assumiu um dos postos mais poderosos da indústria da moda, a francesa martela, em cada desfile, os elementos que construíram a mitologia da grife. Prova disso, o cenário da apresentação desta quinta-feira, concebido por Sofia Coppola. A diretora reproduziu a escadaria revestida de espelhos que decora a loja história, na rue Cambon, e de onde a fundadora Gabrielle Chanel acompanhava, escondida, a reação do público às suas criações.

O desfile Métiers d’Art faz parte de uma estratégia implementada pela marca desde 1985, quando a grife decidiu comprar vários ateliês que reuniam técnicas artesanais antigas e ameaçadas de extinção. É o caso de Lemarié, especialista em plumas, o sapateiro Massaro, e os fabricantes de luvas Causse, e de flores de tecido Gillet, todos fundados no século 19. Atualmente essas pequenas empresas contam com 5 mil funcionários/artesões, que fabricam peças para Chanel, mas também para seus próprios clientes.

Espalhados em vários lugares da cidade, todos esses ateliês serão reunidos em breve em um prédio que está sendo construído pela Chanel, no norte de Paris.

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