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França

Jornais criticam demora do Executivo francês em revelar detalhes de reforma da Previdência

Manifestação em Paris contra a reforma da Previdência desejada pelo presidente Emmanuel Macron.
Manifestação em Paris contra a reforma da Previdência desejada pelo presidente Emmanuel Macron. REUTERS/Gonzalo Fuentes

A imprensa francesa faz nesta sexta-feira (6) um balanço do primeiro dia de greve contra o projeto de reforma da Previdência do presidente Emmanuel Macron. A principal crítica feita ao governo é que o Executivo tarda em detalhar pontos fundamentais do projeto, como a geração que será a primeira a sofrer o impacto da reforma.

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Por mais que o governo diga que tudo correu dentro do previsto, Macron recebeu uma séria advertência das ruas, afirma o jornal Le Monde em seu editorial sobre a greve de 5 de dezembro. A forte mobilização dos franceses na capital e em todas as regiões do país mostra que não foram apenas funcionários de empresas públicas e beneficiários de regimes especiais de aposentadoria que protestaram contra o projeto em gestação nos ministérios.

"Não víamos uma mobilização dessa amplitude há mais de dez anos", destaca o vespertino em seu editorial. "A reforma afeta a todos e o governo ainda não foi claro o suficiente sobre suas intenções", diz o Monde. Segundo pesquisas, 76% dos franceses defendem uma reforma do sistema atual de Previdência, mas 64% não confiam no governo para fazê-la, adverte o jornal. Existe uma crise de confiança que merece a atenção de Macron.

A mobilização da quinta-feira (5) demonstrou força, acrescenta o Libération, devido à ampla paralisação registrada no setor de transportes, em refinarias, escolas e hospitais. "O governo vai dizer que outras greves, nos últimos anos, levaram milhares de franceses às ruas e que a opinião pública está dividida; mas, por enquanto, os sindicatos saíram vitoriosos", estima o Libération.

Número de grevistas não deve ser negligenciado

Le Figaro diz que é difícil prever por quanto tempo irá durar a queda de braço entre o governo e os sindicatos de trabalhadores. Na avaliação do jornal conservador, o número de manifestantes nas ruas, 1,5 milhão de pessoas de acordo com os sindicatos, 800.000 pelos cálculos do governo, não deve ser negligenciado.

Sobre a questão da violência vista na Praça da República em Paris, onde mais uma vez o comércio foi depredado por black blocs e militantes radicalizados, este fenômeno se tornou constante e foi integrado pelas autoridades. A arquitetura geral do projeto da reforma será revelada na semana que vem pelo primeiro-ministro Édouard Philippe. A questão é saber o preço que este governo está disposto a pagar para passar à força essa reforma que não é aprovada por um bom número de franceses.

O jornal comunista L'Humanité vê o governo Macron contra a parede, uma vez que a greve foi maciça, principalmente nos setores de transportes e da educação. O diário destaca que a greve não atinge apenas o funcionalismo, já que sete das oito refinarias de petróleo existentes no território francês foram paralisadas na quinta-feira. Em pelo menos 2.000 empresas do setor privado, os empregados também cruzaram os braços. A principal palavra de ordem dos sindicatos – "Aposentadoria por pontos, todos saem perdendo, aposentadoria aos 60 anos de idade, todos saem ganhando, Macron retire seu plano" – foi ouvida em 45 cidades francesas.

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