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França/Greve

Greve continua na França: sindicatos anunciam que não haverá trégua nem no Natal

Bombeiros franceses exibem bandeiras da central sindical CGT durante uma manifestação contra o projeto de reforma da Previdência do governo francês em Marselha, em 10 de dezembro de 2019.
Bombeiros franceses exibem bandeiras da central sindical CGT durante uma manifestação contra o projeto de reforma da Previdência do governo francês em Marselha, em 10 de dezembro de 2019. REUTERS/Jean-Paul Pelissier

Após uma semana de greve e o anúncio de uma reforma da Previdência que irritou ainda mais os sindicalistas franceses, os trabalhadores do setor dos transportes públicos prometem dar sequência à mobilização mesmo durante as festas de fim de ano. "A paralisação continua porque o governo é teimoso, então essa situação ainda vai durar muito tempo", afirmou o secretário-geral do sindicato dos ferroviários, Laurent Brun, em entrevista à FranceInfo nesta quinta-feira (12).

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A Sociedade Nacional das Estradas de Ferro (SNCF) anunciou uma forte perturbação no tráfego nesta quinta-feira, com uma média de circulação de apenas 25% dos trens em toda a França. Em comunicado, a companhia aconselha aos passageiros a "cancelarem ou adiarem suas viagens".

Em Paris, dez das 14 linhas do metrô permanecem fechadas. Algumas delas funcionam apenas no horário de pico, e em alguns trechos. Os trens RER, que circulam na grande região parisiense, apenas entre 6h30 e 9h30 e 16h30 e 19h, com forte perturbação e várias paradas fechadas. Além disso, a rede de ônibus anunciou a circulação de apenas um a cada três veículos, prevendo uma intensa afluência.

Com o mau funcionamento dos transportes públicos, moradores da capital francesa e cidades periféricas estão optando por fazer o trajeto ao trabalho de carro ou táxi. Mas no trânsito a situação não é menos caótica: às 8h da manhã desta quinta-feira, havia 400 quilômetros de engarramentos em Paris e arredores.

Projeto de reforma não convenceu sindicatos

A mobilização contra a reforma da Previdência deve se ampliar após a apresentação do projeto na quarta-feira (11) pelo primeiro ministro francês, Edouard Philippe. Fim dos regimes especiais, idade "de equilíbrio" para as aposentadorias aos 64 anos, aplicação do novo sistema às gerações nascidas a partir de 1975: o sistema chamado de "universal" pelo governo será "vantajoso para todos", garantiu o premiê, apesar de reconhecer que os franceses mais jovens deverão trabalhar por mais tempo.

A tentativa de apaziguar os ânimos e de convocar os trabalhadores a se engajar em um projeto "social, justo e igualitário", segundo Philippe, não convenceu os sindicatos, que exigem um recuo total do governo sobre o atual projeto. Já o ministro da Economia, Bruno Le Maire, é menos diplomático. "Não há espaço para negociação", declarou, em entrevista à TV France 2 nesta quinta-feira.

Os sindicatos também reagem com inflexibilidade. "Nada de trégua durante o Natal, só se o governo voltar atrás antes de disso", afirmou o secretário-geral do sindicato dos ferroviários, Laurent Brun. "O Executivo está obcecado com esse projeto de regime único e não quer levar em consideração a mobilização dos assalariados em greve", ressaltaram em comunicado quatro das maiores organizações sindicais da França, a CGT, a FO, a FSU e a Solidaires.

O resultado é que uma nova jornada de manifestações foi convocada para esta quinta-feira e para a próxima terça-feira (17). Com essa nova rodada de protestos, os maiores opositores ao projeto de reforma da Previdência esperam paralisar a França como durante a longa greve de 1995. Na época, a mobilização conseguiu pressionar o governo do então presidente Jacques Chirac a recuar sobre um projeto de um sistema de aposentadorias.

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