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França

França: chegou a hora de contar os prejuízos da greve contra a reforma da Previdência

Manifestantes participam de manifestação em Paris nesta quinta-feira (16).
Manifestantes participam de manifestação em Paris nesta quinta-feira (16). REUTERS/Benoit Tessier

Os sindicatos franceses que se opõem à controversa reforma da Previdência do presidente Emmanuel Macron voltaram às ruas nesta quinta-feira (16), após seis semanas consecutivas de protestos.

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A longa greve nos transportes, iniciada dia 5 de dezembro de 2019, perde força. Mas o presidente da companhia ferroviária SNCF, Jean-Pierre Farandou, disse hoje que a paralisação gerou, até agora, € 850 milhões de prejuízos à empresa e pode ultrapassar € 1 bilhão nos próximos dias.

Comércio, hotelaria, restaurantes e o setor da cultura são fortemente impactados pela paralisação. A Ópera de Paris perdeu ao menos € 12 milhões durante os dias em que seus bailarinos suspenderam os espetáculos para defender a manutenção de seu regime especial de aposentadorias. Neste caso, o governo cedeu. O circo Bouglione registrou perdas de € 900.000 durante o período das festas de fim do ano. Serão necessárias várias semanas para contabilizar o custo total desta que é uma das greves mais longas da história da França.

43° dia de mobilização

Nesta quinta-feira, ativistas da associação antiglobalização Attac e ferroviários da Gare de Lyon organizaram uma ação surpresa em frente ao Ministério da Economia e Finanças, em Paris. Eles jogaram chinelos no prédio para denunciar o projeto do governo e "a influência dos lobbies nos fundos de previdência privada", como Amundi, Axa ou BlackRock.

O número de grevistas na companhia ferroviária SNCF registrou um ligeiro aumento. A taxa de grevistas subiu para 10,1% na SNCF, contra 4,7% na quarta-feira (15). Cerca de 30% dos condutores de trens cruzaram os braços, contra 22% no dia anterior.

Em Marselha, a segunda maior cidade da França, cerca de 8 mil pessoas começaram a desfilar no final da manhã, atrás de uma enorme faixa que dizia "Sem negociação! Retirada do projeto Macron!".

No sábado (8), o primeiro-ministro Édouard Philippe "retirou provisoriamente" a medida mais controversa do projeto de lei, que previa alterar a idade mínima para solicitação de aposentadoria de 62 para 64 anos, a fim de continuar negociando com os sindicatos medidas de equilíbrio e financiamento do sistema, no horizonte de 2027. Ficou acertado que sindicatos e organizações patronais participarão de uma conferência para discutir soluções alternativas. As conclusões dessas discussões devem ser divulgadas no fim de abril.

Após 43 dias de movimento social, ferroviários e metroviários sentem o peso financeiro dos dias de greve descontados dos salários. Eles discutem outros modos de ação para manter a pressão contra o governo, sem descartar paralisações intermitentes no setor de transportes.

Na avaliação do primeiro-ministro Edouard Philippe, encarregado por Macron de negociar e defender a reforma previdenciária, a greve na SNCF e na RATP é "um beco sem saída" e "já durou tempo demais". O governo fez concessões, mas novas manifestações estão programadas de 22 a 24 de janeiro.

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