Acessar o conteúdo principal
França/medicamentos

Polícia francesa investiga tráfico de remédios com receitas falsas

Image générique de médicaments
Image générique de médicaments CC0 Pixabay/stevepb

O jornal Le Figaro desta quinta-feira (16) destaca o aumento do tráfico de medicamentos na França, adquiridos com falsas receitas nas farmácias e revendidos no exterior para pacientes dependentes.

Publicidade

O alerta foi feito em dezembro pela polícia francesa, que identificou um roubo de receitas de remédios tarja preta, de venda restrita, no serviço de Hematologia do hospital Tenon, no leste parisiense. Entre eles, moléculas utilizadas no tratamento do câncer do pulmão e da hepatite C, por exemplo, que chegam a custar, respectivamente, cerca de € 6 mil e € 12 mil a caixa.

Depois de adquiridos de forma ilegal nas farmácias, os produtos são entregues aos pacientes, que pagam um preço bem mais baixo para obtê-los. Para entender como o negócio é rentável, é preciso saber que, na França, os medicamentos são distribuídos gratuitamente nas farmácias com uma receita médica. Esse conforto é financiado pelos contribuintes franceses.

"O desenvolvimento dessa atividade criminal começou em 2015 e acelerou em 2017", diz Eric Bayle, chefe da divisão "Estratégia e Análise" da divisão da polícia, que combate esse tipo de delito. Segundo ele, no ano passado, as autoridades desmantelaram uma rede criminosa que atuava entre a França e a Ucrânia.

A quadrilha recrutava estrangeiros com acesso à Seguridade Social francesa, que atribui autorizações específicas em função do visto e da condição social. Em alguns casos, o reembolso pode chegar a 100%. Nas farmácias, os remédios eram obtidos com facilidade. Segundo a polícia, a estimativa é que os membros da rede tenham enviado cerca de 30 mil comprimidos de psicotrópicos para revenda no exterior em apenas um ano e meio, principalmente na Geórgia e na Ucrânia, por um preço 15 vezes mais caro.

Pacientes dependentes falsificam receitas

Às vezes o paciente falsifica a receita sozinho, explica o professor Nicolas Authier, psiquiatra e especialista em Farmacologia. Segundo ele, o desrespeito à prescrição médica leva à dependência e os próprios pacientes modificam a receita para obter mais remédios do que deveriam. De acordo com o especialista, esse paciente acabou sendo "pego" pelos fiscais da Seguridade Social francesa. Mas esses casos passam raramente desapercebidos.

A multa para esse tipo de fraude pode variar entre € 5 mil e € 375 mil, com uma pena que pode chegar a 5 anos de prisão. O último recurso acaba sendo a encomenda pela internet. Mais de 100 remédios podem ser adquiridos sem dificuldade na rede, mas o problema é a pureza das moléculas, que não é garantida e pode colocar a saúde dos usuários em risco.

Em 2018, segundo as autoridades francesas, 1905 receitas apresentadas nas farmácias eram falsas, mas esse número pode ser bem maior. No ano passado, os medicamentos contendo paracetamol e codeína foram os mais falsificados. Os farmacêuticos, relata o Le Figaro, têm dificuldade em identificá-las, e é necessário ser mais "vigilante", diz Eric Douriez, presidente do organismo que representa os farmacêuticos em Val de Marne, na região parisiense.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.