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França/China/Coronavírus

Em meio a críticas, França vai repatriar seus cidadãos confinados na região de Wuhan

Agentes de saúde chineses verificam estado de passageiros num voo que decolou da província de Changsha, no centro da China.
Agentes de saúde chineses verificam estado de passageiros num voo que decolou da província de Changsha, no centro da China. REUTERS/David Stanway

A França decidiu oferecer a seus 800 cidadãos confinados há vários dias na região de Wuhan, berço da epidemia de coronavírus na China, a possibilidade de repatriamento para Paris. O governo francês instalou no domingo (26) um ambulatório médico de emergência no Aeroporto Internacional Charles De Gaulle, na região parisiense, para acolher os viajantes. Eles ficarão 14 dias em quarentena para evitar o contágio de outras pessoas no território francês.

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A França decidiu oferecer a seus 800 cidadãos confinados há vários dias na região de Wuhan, berço da epidemia de coronavírus na China, a possibilidade de repatriamento para Paris. O governo francês instalou no domingo (26) um ambulatório médico de emergência no Aeroporto Internacional Charles De Gaulle, na região parisiense, para acolher os viajantes. Eles ficarão 14 dias em quarentena para evitar o contágio para outras pessoas no território francês.

A ministra da Saúde, Agnès Buzyn, disse que a operação aérea será realizada em comum acordo com as autoridades chinesas. Uma equipe médica estará a bordo dos voos para acompanhar os repatriados. O primeiro avião proveniente de Wuhan deve chegar a Paris nos próximos dias.

Mas já existem franceses que estavam na região de Wuhan e conseguiram furar o bloqueio das autoridades chinesas. É o caso de Thomas, que viajou de Paris para passar o Ano Novo chinês no país asiático, com sua companheira chinesa. Eles tomaram conhecimento do confinamento imposto por Pequim quando sobrevoavam a Mongólia, na quarta-feira (22), a bordo do último voo da Air France para Wuhan. O casal perguntou à tripulação se era possível retornar a Paris no mesmo aparelho, mas foram informados de que o voo de retorno estava completo.

Ao desembarcar em Wuhan, o casal se refugiou em uma cidade vizinha e deu início a um périplo de carro pelas províncias chinesas até chegar em Xangai, na costa leste do país, de onde tomaram um voo da Air France em direção a Paris. Na chegada à capital francesa, nesta segunda-feira (27), Thomas disse ter ficado “indignado”, com o fraco controle sanitário no aeroporto. Em entrevista à rádio FranceInfo, o jovem comentou: “É uma vergonha, fizeram apenas um controle de temperatura”, relatou, ainda com o rosto coberto por uma máscara.

O último voo da Air France proveniente de Wuhan chegou a Paris na quinta-feira (23) passada. O AF 139, um Airbus com capacidade para 224 pessoas, decolou na direção do aeroporto Charles De Gaulle poucos minutos antes do aeroporto chinês ser fechado. Não houve da parte das autoridades francessas nenhum controle preventivo de passageiros no desembarque.

A França tinha na manhã desta segunda-feira três pacientes contaminados pelo coronavírus – dois em Paris e um em Bordeaux – e dez casos suspeitos, aguardando os resultados de exames laboratoriais. Nenhum deles, que permanecem em casa supervisionando os sintomas de febre, tosse ou dificuldade respiratória, teve contato com os pacientes já diagnosticados.

Poucas crianças atingidas

Apesar da controvérsia crescente, as autoridades francesas insistem em não instalar termômetros nos aeroportos, por considerar a medida ineficaz. Por outro lado, em seis dias, o Instituto Pasteur conseguiu desenvolver um teste capaz de confirmar rapidamente a presença do novo tipo de coronavírus.

Segundo o chefe da unidade de doenças infeciosas do Hospital Bichat, em Paris, Yazdan Yazdanpanah, ainda é cedo para determinar se a epidemia de coronavírus é menos letal do que a da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que matou mais de 800 pessoas entre 2002 e 2003. Tudo indica que um paciente infectado pelo SARS transmitia, em média, o vírus a outras duas pessoas, enquanto o atual coronavírus parece mais contagioso, podendo ser transmitido para duas a três pessoas. Outra particularidade da epidemia atual é que, por enquanto, há poucas crianças contaminadas, sem que se conheça a razão.

Primeira morte em Pequim

Pelo menos 82 pessoas morreram na China após serem infectadas com o coronavírus, de acordo com o último boletim provisório das autoridades locais. A lista de vítimas aumentou hoje, com o anúncio da primeira morte em Pequim. A vítima é um homem de 50 anos, que passou por Wuhan no dia 8 de janeiro. Ele já apresentava sintomas de febre quando retornou à capital chinesa sete dias mais tarde. Ao menos 2.744 casos da pneumonia foram confirmados no país, apesar das medidas drásticas de prevenção adotadas por Pequim nos últimos dias.

Para limitar ainda mais o número de doentes em meio ao período de festas do Ano Novo Lunar, o governo chinês suspendeu os pacotes de viagem dentro da China e para o exterior. A proibição deve provocar prejuízos ao setor do turismo, que representou 11% do PIB chinês em 2018, segundo dados oficiais.

A crise provocada pelo novo tipo de coronavírus suscita temores de um enfraquecimento adicional da economia chinesa, afetando o desempenho global. Com receio desse impacto, as bolsas de valores mundiais registraram queda superior a 2% nesta segunda-feira.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os 29 casos confirmados fora da China estão espalhados por dez países. Hoje, a OMS reformulou a ameaça do vírus do patamar “moderado” para “elevado”.

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