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Filha de Pelé apresenta em Paris projeto de documentário sobre futebol feminino

Áudio 07:04
Kely Nascimento-Deluca durante exibição de seu projeto de documentário, em Paris. 06/02/2020
Kely Nascimento-Deluca durante exibição de seu projeto de documentário, em Paris. 06/02/2020 Foto: RFI Brasil

Ela cresceu no mundo do esporte, mas foi na área do desenvolvimento sustentável que Kely Nascimento-DeLuca resolveu apostar desde jovem. De passagem pela capital francesa, ela participou do evento Global Sports Week, no Carrousel do Louvre, onde falou sobre sua nova empreitada de explorar as dores e as vitórias de uma jogadora de futebol brasileira.

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“Warriors of the Beautiful Game” - sem tradução em português – acompanha a trajetória de uma menina de Salvador pelos gramados, até conquistar uma vaga em times norte-americanos.

“É um documentário sobre o estado do futebol feminino e a sua história, seguindo a vida de Laís, uma jogadora de Salvador até a sua ida para atuar em Nova York e na Flórida. É muito interessante, abordando a loucura do futebol feminino”, diz a documentarista.

Filha de Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, Kely mudou-se para os Estados Unidos na década de 1970.

“Nós mudamos para os Estados Unidos em 1974/75 quando o meu pai foi jogar no Cosmos. E eu fui para a escola da ONU. Desde então, eu comecei a aprender coisas que outras crianças não têm a chance de aprender”, conta. “Eu fui para uma escola com meninos e meninas de outros países e a gente aprendia os problemas e as belezas do mundo inteiro. Ao sair de lá eu fui para a Parsons (escola de design) onde estudei artes gráficas e fotografia e eu sempre tentei trabalhar com projetos de impacto sustentável”, completa.

Dessa vez, Kely se dedica a contar as dificuldades vividas por atletas do futebol feminino.

“Eu sempre soube que a Marta deveria ser tão famosa no mundo quanto o meu pai foi, mas não é assim”, compara. “Eu acho que o exemplo das mulheres nos Estados Unidos é muito importante, porque você pode fazer muitas coisas. Pelo menos para dar um jeito para que essas mulheres, atletas incríveis, que trabalham muito, possam pelo menos pagar aluguel e formar uma família”, observa.

O documentário está em fase de edição, com expectativa de lançamento para maio deste ano.

“O filme é para as meninas, para contar a história delas e para que elas tenham orgulho assistindo”, explica. “O objetivo é usar o esporte e a arte de contar histórias capazes de melhorar o mundo, mais especificamente, com relação aos objetivos de sustentabilidade da ONU”, diz Kely Nascimento-DeLuca.

Só agora ela usa o nome do pai

Paralelamente ao trabalho como documentarista, Kely desenvolve projetos na Fundação Nascimento. Mas conta que nunca se sentiu à vontade para usar o nome de Pelé, até a Copa de 2014. Naquele ano, ela produziu o reality show “The Real Pelé – My Father, My King", em que os espectadores podiam acompanhar a rotina do ex-jogador durante todo o período da Copa do Mundo do Brasil

“Na Copa de 2014 foi a primeira vez que eu entrei num projeto assumindo que sou filha do Pelé. E eu quis fazer isso porque era um assunto diretamente relacionado ao meu pai e ao futebol. Antes, eu não tive oportunidade de usar esse nome, porque não era da minha área de atuação”, explica a produtora, que desde 2012 trabalhava com a ideia de contar a história da jogadora Laís.

“Em 2012, eu encontrei a Laís, a jovem que a gente segue no filme. Então eu já fui para a Copa de 2014 pensando no futebol feminino de um jeito que eu nunca tinha pensado antes. E disse: se alguém vai contar essa história, deveria ser eu”.

“Eu fui morar em Nova York porque ninguém sabia ou se importava com o fato de eu ser filha do Rei do futebol, e lá podíamos crescer como crianças normais. Mas hoje, eu fico muito feliz de poder usar o nome dele. Ele também fica feliz e é um jeito de continuar tudo o que ele fez. Eu não jogo futebol, mas posso usar o poder da atenção que o nome Pelé traz para fazer as coisas que precisam ser feitas”, conclui.

  

 

 

 

 

 

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